
Número de ETFs de renda fixa mais do que dobra em um ano
Os ETFs receberam a segunda maior aplicação, descontando os resgates, de todo o setor de fundos de investimentos no primeiro semestre, mostram dados da Anbima
Em meio aos juros altos, os ETFs, fundos negociados em bolsa que acompanham um indicador de mercado, de renda fixa andam fazendo muito sucesso entre os investidores. A demanda disparou tanto que o número de ETFs dessa classe mais do que dobrou nos últimos 12 meses encerrados em junho, de 30 para 65, mostram os dados que a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) divulgou nesta quarta-feira (8).
O número de ETFs de renda variável também aumentou nesse intervalo, mas em um ritmo mais lento. A alta foi de 28%, de 107 para 137 nesse período. Ao todo, o número de ETFs aumentou 47% em um ano, de 137 para 202. Já o número de contas avançou 33%, de 1,2 milhão para 1,6 bilhão nesse intervalo. A maioria ainda é composta por ETFs de renda variável (83%) e a minoria por ETFs de renda fixa (17%).
Os ETFs receberam a segunda maior aplicação, descontando os resgates, de todo o setor de fundos de investimentos no primeiro semestre. Os aportes alcançaram R$ 32,5 bilhões, atrás dos fundos de renda fixa mais tradicionais, que captaram R$ 108,4 bilhões nesse intervalo. Apenas os ETFs de renda fixa atraíram R$ 27,1 bilhões, o equivalente a 84% de toda a entrada na classe.
O patrimônio líquido dos ETFs dobrou em um ano, de R$ 55,5 bilhões em julho de 2025 para R$ 116,6 bilhões em junho de 2026. Somente o patrimônio dos ETFs de renda fixa disparou quatro vezes nos últimos 12 meses, de R$ 13,8 bilhões para R$ 60,8 bilhões.
Custo baixo aumenta competição com fundos
Na análise de Pedro Rudge, diretor da Anbima, o custo menor desses produtos os torna mais atraentes em comparação aos fundos de renda fixa mais tradicionais e a tendência é os fundos diminuírem os seus custos para competir com os ETFs.
"Com produtos similares e investidores trocando os fundos pelos ETFs, os gestores vão ter que tomar decisões. Ainda não vejo isso acontecendo no curto prazo, mas foi uma tendência lá fora", afirmou, em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira. "Os ETFs pressionam as taxas dos fundos ativos", disse.
Além do custo menor, Rudge destacou que os ETFs de renda fixa são acessíveis, líquidos e não têm come-cotas, a cobrança antecipada do Imposto de Renda em alguns fundos de investimento tradicionais. "Vamos ver cada vez mais gestores oferecendo produtos, fazendo os ETFs serem melhor entendidos", afirmou.
O diretor da Anbima ressaltou também que uma mudança na forma como os assessores recebem uma remuneração, uma taxa fixa sobre a carteira do cliente em vez de comissões conforme o produto vendido, tende a acelerar a distribuição de ETFs aos investidores. "A tendência é esse tipo de fundo ganhar uma fatia maior do mercado do que tem hoje", disse.