
Petróleo retoma escalada com 'volta' da guerra. E agora?
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Tudo indicava que o fim da guerra seria relativamente tranquilo até que os ataques a embarcações no Estreito de Ormuz ontem (7) levaram os Estados Unidos a revogam a licença para venda de petróleo iraniano. Com isso, o preço da commodity voltou a disparar, o que deve impactar o pregão desta quarta-feira (8). No radar também está a ata da última reunião monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que pode trazer pistas sobre o futuro dos juros por lá.
Ontem (7), dois petroleiros foram atingidos no Estreito de Ormuz no momento em que multidões prestavam as últimas homenagens ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto nos ataques de EUA e Israel ao país, em 28 de fevereiro. Com isso, veio a retomada das ofensivas militares entre os dois países, o que marca o momento de maior fragilidade desde que o memorando de entendimento foi assinado.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a afirmar que o memorando "acabou" e disse que não pretende manter negociações com Teerã. Assim, com os temores de que a distribuição do petróleo volte a ser interrompida, o preço da commodity disparou. Por volta das 7h40, o Brent (referência global) subia 5,11%, cotado a US$ 77,91. Já o WTI (referência norte-americana) subia 4,88%, cotado a US$ 73,88.
Hoje ainda será divulgada a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), a primeira com Kevin Warsh no comando. Na ocasião, o banco central norte-americano optou por manter os juros em 3,75% ao ano, mas com uma sinalização de que uma alta poderia acontecer, devido à busca por atingir a meta de inflação (que lá é de 2% ao ano).
Portanto, para os mercados, a combinação entre a escalada das tensões no Oriente Médio e a postura ainda cautelosa do Fed tende a aumentar a volatilidade ao longo do pregão.
Na prática, esse cenário pode provocar uma volta para ativos considerados mais defensivos, pressionar as bolsas, mas favorecer empresas ligadas ao setor de petróleo. Assim, mercados emergentes, como o brasileiro, podem oscilar entre o benefício para exportadoras da commodity e o impacto negativo de um ambiente externo mais avesso ao risco.