Petrobras (PETR4) tem forte alta, mas não evita que Ibovespa feche em queda, com novo round entre EUA e Irã

Petrobras (PETR4) tem forte alta, mas não evita que Ibovespa feche em queda, com novo round entre EUA e Irã

Petrobras (PETR4) tem forte alta, mas não evita que Ibovespa feche em queda, com novo round entre EUA e Irã

Fim do cessar-fogo e retomada das ameaças de ataques no Estreito de Ormuz provocou disparada do petróleo e ações da petrolífera reagiram na mesma proporção, mas aversão a risco prevaleceu na bolsa brasileira e nas internacionais; dólar fica estável, a R$ 5,15

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, a B3, fechou em queda nesta quarta-feira (8), balizado pelo retorno da aversão a risco nos mercados globais após Estados Unidos e Irã declararem o fim do cessar-fogo. O pregão só não foi mais negativo porque os papéis da Petrobras se favoreceram no mesmo cenário, já que o preço do petróleo disparou.

Apesar da queda generalizada (53 dos 78 ativos que compõem o Ibovespa figuram em campo negativo), as ações da Vale (VALE3) lideraram as perdas, com tombo de mais de 4%, acentuado por relatório que apontou aumento das incertezas em torno dos resultados operacionais da companhia para este ano.

- O Ibovespa encerrou o pregão com recuo de 0,79%, a 170.653 pontos. Na mínima do dia chegou a 169.972 pontos.

- O dólar ficou estável, cotado a R$ 5,15.

- O petróleo tipo Brent encerrou os negócios do dia com alta de 5,2%, após saltar mais de 7%, cotado a US$ 78,02 o barril.

- Mais negociados no dia, os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) encerraram o pregão com valorização de 3,15%.

- Em Nova York, o Dow Jones caiu 1,1% e o S&P perdeu 0,23%, enquanto o Nasdaq subiu 0,3%.

Guerra sem fim

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou pela manhã que o memorando de entendimento que previa um cessar-fogo de 60 dias e funcionava como base para as negociações entre os dois países "acabou". Ele afirmou que não pretende manter negociações com Teerã e classificou a liderança iraniana como "pessoas doentes". "Vamos atacá-los com força esta noite, mas veremos como tudo vai se desenrolar", disse Trump a repórteres na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ele ameaçou destruir instalações de eletricidade e água do país persa.

A reabertura do Estreito de Ormuz - por onde passa um quinto do petróleo produzido no mundo - nas últimas semanas havia derrubado o preço do petróleo de volta ao patamar anterior à guerra. Até que a confiança no acordo entre os dois países começou a ser abalada por ataques de drones a embarcações.

Pela manhã, o Brent, a referência global de preços, chegou a saltar mais de 7%, ainda que não tenha voltado ao patamar dos US$ 80, o barril.

"Petróleo mais caro significa um choque de custos em toda a cadeia produtiva mundial, o que pode forçar os bancos centrais, especialmente o dos Estados Unidos, a manter os juros altos e restritivos por mais tempo para tentar conter a inflação", pontua Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad.

"Diante do risco de preços descontrolados e de um conflito em expansão, os grandes fundos e investidores institucionais adotam o movimento financeiro conhecido como fuga para a qualidade, devido ao aumento do sentimento de aversão à risco", explica Rebecca. "Na prática, o capital estrangeiro abandona subitamente os ativos considerados mais arriscados, como é o caso do Brasil e outros países emergentes."

Ata do Fed: "aperto adicional poderá ser necessário"

A ata da reunião de junho do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), divulgada nesta tarde, revela que parte dos dirigentes já enxergava argumentos para uma alta da taxa de juros, apesar de terem votado pela manutenção de 3,75% ao ano.

O documento destaca que, embora a expectativa predominante ainda seja de estabilidade ou eventual redução dos juros caso a inflação recue, muitos dirigentes avaliam que um aperto adicional poderá ser necessário se a economia continuar resiliente e as pressões inflacionárias persistirem.

O texto mostra que os dirigentes continuam mais preocupados com a inflação do que com uma desaceleração da economia. Segundo o documento, a maioria dos integrantes do comitê avalia que a alta dos preços deve permanecer elevada no curto prazo, impulsionada pelos custos de energia, pelos efeitos das tarifas e pela forte demanda ligada aos investimentos em inteligência artificial (IA). Apesar de ainda esperarem uma desaceleração gradual da inflação nos próximos anos, os dirigentes consideram que os riscos seguem inclinados para novas pressões de alta.

A maioria do mercado espera uma alta na reunião de setembro, o que levaria a taxa básica americana para 4% ao ano, de acordo com o CME FedWatch. Há, ainda, dúvidas quanto a uma possível segunda alta em dezembro.

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