
Tesouro Direto: taxas dos prefixados disparam com fim do cessar-fogo no Irã
Conflito catapulta juros em um momento delicado para o Tesouro Nacional
A nova escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos no Golfo Pérsico eleva os juros dos títulos públicos brasileiros nesta quarta-feira (8), em um momento já bastante delicado para a dívida federal. Em junho, os papéis indexados à inflação superaram os juros reais de 8% e, mesmo assim, leilões realizados pelo Tesouro nas últimas semanas ficaram encalhados. As taxas estão próximas às máximas históricas e oferecem um bom retorno para o investidor, mas encarecem a dívida e pioram a sua composição.
- A aplicação no Tesouro Prefixado 2029 paga 14,36%, ante 14,19% na última sessão.
- A aplicação no Tesouro Prefixado 2032 remunera 14,53%, ante 14,39% na última sessão.
- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2032 paga IPCA+8,28%, ante IPCA+ 8,25% na última sessão.
- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2040 retorna IPCA + 7,61%, ante IPCA + 7,64% na última sessão.
Será divulgada hoje a ata da última reunião do Fed, com pistas sobre a percepção da autoridade monetária sobre os indicadores macroeconômicos e sobre o que investidores podem esperar quanto aos juros. A maioria do mercado espera uma alta em setembro, o que levaria a taxa básica americana para o intervalo entre 3,75% a 4% ao ano, de acordo com o CME FedWatch. Há, ainda, dúvidas quanto a uma possível segunda alta em dezembro.
Para Gustavo Danilo Guimarães, da Manchester Investimentos, o momento é de cautela e retorno das preocupações com preços do petróleo e com o Estreito de Ormuz. "Esse ambiente gera bastante incerteza e, por consequência, a gente não consegue ter um alívio mais consistente na curva de juros local", diz. Os títulos ensaiaram uma queda nas taxas na semana passada, com sinais de desaceleramento da inflação. Os juros mal começaram a cair, porém, e já voltam a registrar forte alta.