
Fundos de crédito com exposição acima de 50% têm resgates de quase R$ 50 bilhões em dois meses
Média de rentabilidade dos veículos com tal fatia em dívida privada vem deixando a desejar desde março, quando tiveram desvalorização de 0,39%, seguida de alta de 0,03% em abril e de 0,55% em maio
Por Adriana Cotias, Valor — São Paulo
Atualizado
Em apenas dois meses, em abril e maio, os fundos com exposição a partir de 50% em ativos de crédito tiveram resgates de quase R$ 49,2 bilhões, segundo dados apresentados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Os fundos de renda fixa com fatia a partir de 10% em crédito privado atraíram no seu conjunto R$ 14,4 bilhões de janeiro a maio, pelo recorte da entidade, invertendo o sinal em relação ao mesmo período do ano passado, quando R$ 12,6 bilhões saíram do segmento. O resultado positivo em 2026 se concentrou no primeiro trimestre. Depois, houve saídas de R$ 3,3 bilhões em abril e de R$ 24,8 bilhões em maio. O movimento foi puxado por carteiras com exposição acima de 50%, com saques totais de R$ 49,2 bilhões nesses dois meses.
A média de rentabilidade dos veículos com tal fatia em dívida privada vem deixando a desejar desde março, quando tiveram desvalorização de 0,39%. Ficaram praticamente estáveis em abril (0,03%), com alguma reação em maio, com alta 0,55%.
Segundo Pedro Rudge, diretor da Anbima, a volatilidade tem relação com um ambiente de taxas de juros altas, já que o insumo dos fundos de crédito privado é financiar empresas, que passam a ter mais dificuldades para honrar as suas dívidas, ou têm que se financiar a custos mais elevados por um período longo. Não por outra razão têm aumentado as renegociações e os casos de inadimplência. “É um pouco consequência desse cenário que temos vivido nos últimos anos”, afirmou Rudge, durante coletiva de imprensa.