
Tesouro admite rever plano de financiamento da dívida pública
Próximo ciclo de revisão do Plano Anual de Financiamento acontecerá em agosto
Por Giordanna Neves e Jéssica Sant'Ana, Valor — Brasília
Atualizado
O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou em entrevista ao Valor que, se ficar claro que não será possível atingir alguma das bandas do Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública federal, o Tesouro vai comunicar ao mercado e fazer as revisões necessárias. O próximo ciclo de revisão acontecerá em agosto. Em abril, teve uma reavaliação ordinária, mas não houve revisão do PAF.
“Se precisar mudar, como já ocorreu em outros momentos, a gente vai [mudar]. A gente vai ver qual indicador eventualmente estaria frustrando”, disse o secretário em entrevista na terça-feira. Ele explicou que o aumento das emissões de títulos pós-fixados atrelados à Selic, as LFTs, seria “o grande motivador de uma eventual mudança”.
“Agora, se isso vai mudar a banda de LFT ou se vai mudar as outras, é que a gente tem que avaliar”, explicou. Pelo PAF atual, as LFTs deveriam ter uma participação no estoque da DPF de 46% a 50%. Até maio, esses papéis representavam 48,99% do estoque da dívida. As NTN-Bs representaram 26,26% do total. Pelos limites do PAF, esses papéis devem variar de 23% a 27%.
Leal ressaltou, no entanto, que este não é ainda um “jogo perdido” e é preciso acompanhar os desdobramentos do mercado. Em meio ao cenário de maior incerteza, as LFTs passam a ter alta demanda, já que não incorrem em perdas caso a taxa de juros oscile e garantem ao portfólio boa rentabilidade e proteção contra a volatilidade.