
Em cenário incerto, renda fixa domina lista de ativos mais procurados. Veja o ranking
Com a perspectiva de que os juros mundo afora ficarão altos por mais tempo, os CDBs seguem na liderança dos investimentos mais buscados na internet, segundo o Yubb
Mesmo após Estados Unidos e Irã assinarem um memorando de entendimento para encerrar a guerra, os investidores continuaram mirando em investimentos mais conservadores. E, aparentemente, com toda razão, já que menos de um mês depois o fim da guerra já foi posto em xeque. Assim, com incertezas no radar e a perspectiva de que os juros mundo afora ficarão altos por mais tempo, os investimentos mais procurados em junho foram os de renda fixa, segundo o levantamento mensal do Yubb.
O fato é que, além das novas tensões geopolíticas, ainda há dúvidas sobre o tamanho do impacto da guerra na inflação global, o ritmo da desaceleração econômica e, consequentemente, sobre os próximos passos dos principais bancos centrais. A aposta principal, contudo, é que as taxas devem continuar elevadas. Nesse contexto, a renda fixa ganha ainda mais atratividade por oferecer retornos atrelados aos juros e com menor exposição à volatilidade, especialmente em um momento em que os investidores preferem preservar patrimônio.
Ativos mais buscados pelos investidores em junho
Ativos conservadores no topo
Segundo o levantamento mensal do buscador de investimentos Yubb, os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) seguem na liderança dos ativos mais procurados na internet.
O segundo e o terceiro lugar, no entanto, se inverteram em relação ao registrado em maio: os títulos públicos negociados no Tesouro Direto caíram da segunda para a terceira posição e as Letras de Crédito do Agronegócio e as Letras de Crédito Imobiliário (LCAs e LCIs) subiram para a vice-liderança.
Só no quarto lugar aparece um investimento de renda variável: os fundos imobiliários, que sequer ficaram entre o top 10 de maio. Apesar de envolverem risco de mercado e de perda de capital, esses ativos são considerado um pouco mais defensivos que as ações e ganham apelo por distribuirem dividendos periodicamente, o que pode ser visto por muitos investidores como uma possibilidade de “renda extra”.
Na sequência, mais ativos de renda fixa: as letras de câmbio (LCs) e os Recibos de Depósito Bancário (RDBs), que subiram da décima para a quinta posição em junho.
Só em sexto lugar surgem as ações, que perderam mais uma posição na passagem de maio para junho. Para se ter uma ideia do quanto elas perderam apelo junto ao investidor, em abril elas ocupavam a vice-liderança do levantamento e foram despencando de posição de lá para cá.
Em sétimo lugar, no entanto, aparecem os fundos de ações, que fizeram um caminho contrário e subiram da nona para a sétima colocação.
No oitavo lugar, surgem os fundos multimercados que assim como as ações também despencaram de posição, já que ocupavam a quarta colocação no mês anterior.
Por fim, quem encerra a lista são as debêntures, que sequer apareceram na lista de maio, mas voltaram a figurar o top 10 em junho, e os fundos de renda fixa, que caíram da sexta para a décima posição.
Entenda como funciona cada um dos ativos citados
1º - CDBs
Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) funcionam como se fossem um "empréstimo" do investidor ao banco que emite aquele papel. O rendimento mais comum é atrelada ao CDI (Certificado Depósito Interbancário, taxa que segue de perto a Selic).
Os bancos maiores e mais tradicionais normalmente oferecem uma remuneração abaixo ou até 100% do CDI para produtos com liquidez, por terem menor risco. Já os bancos pequenos e médios podem pagar até mais de 120% do CDI. Essa rentabilidade é pré-determinada. Portanto, você sabe o tamanho da parcela que receberá sobre o CDI no momento em que investir.
Há também os CDBs pós-fixados e os que pagam um juro real acima do IPCA. Nesses dois casos, o investidor costuma abrir mão de liquidez em troca de uma perspectiva de ganho levemente acima do CDI.
2º - LCIs e LCAs
As letras de crédito imobiliário (LCIs) e as letras de crédito do agronegócio (LCAs) são títulos de crédito emitidos por instituições financeiras para financiar atividades do setor imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA).
Para o investidor esses ativos são semelhantes a um CDB, com a diferença de serem isentos de Imposto de Renda e normalmente terem um prazo mínimo de carência, sem possibilidade de resgate.
3º - Tesouro Direto
Os títulos públicos negociados pela plataforma on-line do Tesouro Direto são títulos de dívida emitidos pelo governo para financiar suas atividades. Eles funcionam como um empréstimo do investidor ao próprio governo brasileiro, que vai devolver o valor no futuro, acrescido de juros.
Os títulos do Tesouro podem ser prefixados (em que o rendimento nominal já é determinado na hora da compra), pós-fixados (em que o retorno é atrelado à Selic, seja ela qual for) ou híbrido, com uma parcela pós-fixado indexado ao IPCA (no qual o rendimento acompanha a variação da inflação) mais um componente de juro real fixo.
4º - Fundos imobiliários
Esses fundos funcionam como uma espécie de “condomínio” de investidores que reúnem seus recursos para aplicar, juntos, no mercado imobiliário.
O montante pode ser usado na construção ou compra de imóveis, que depois serão alugados ou arrendados e os ganhos obtidos nisso são divididos entre aqueles investidores, respeitando a proporção que cada investidor aplicou. Esses são chamados "fundos de tijolo".
Há um outro tipo em que o dinheiro é aplicado em títulos ligados ao mercado imobiliário, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras Hipotecárias (LHs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) ou até mesmo em cotas de outros fundos imobiliários. Esses tipos são chamados de "fundos de papel".
5º - LCs e RDBs
As letras de câmbio (LCs) e os Recibos de Depósito Bancário (RDBs) têm uma lógica semelhante à dos CDBs. Nesse caso, no entanto, eles são emitidos por instituições financeiras que não são bancos tradicionais, e normalmente não dão liquidez antes do vencimento. Portanto, o investidor precisa esperar finalizar o prazo para ter seu dinheiro de volta.
6º - Ações
As ações negociadas na bolsa de valores funcionam como se o investidor tivesse uma pequena participação daquela companhia. Portanto, cada papel (como também são chamadas as ações) é como se fosse um "pedaço" daquela empresa. As ações podem ser preferenciais ou ordinárias.
Quem tem ações ordinárias tem direito de voto nas assembleias de acionistas. Normalmente os acionistas recebem um voto por ação para eleger os membros do conselho que supervisionam a administração. Já quem tem as ações preferenciais, tem maiores direitos sobre os lucros e ativos de uma empresa.
7º - Fundos de ações
Como o próprio nome sugere, esses fundos têm a maior parte de sua "cesta" composta por ações escolhidas por aquele gestor.
8º - Fundos multimercado
Os fundos multimercados são como uma "cesta de ativos" que pode conter diferentes tipos de ativos. Portanto, pode haver dentro daquele pacote papéis como ações, títulos públicos, dólar, contratos de juros etc. Eles são escolhidos por um gestor profissional, que é remunerado com parte das taxas que os investidores pagam para ter o seu dinheiro naquele fundo.
9º - Debêntures
Esse tipo de investimento de renda fixa funciona como um "empréstimo" do investidor para uma companhia. Nele, uma empresa que precisa levantar dinheiro para financiar alguma finalidade (como o investimento em novas fábricas, lançamentos de mais produtos etc) emite títulos de dívidas que são oferecidos a investidores por meio de bancos e corretoras. Assim, na prática, quem os compra está emprestando dinheiro para aquela companhia, com a promessa de receber o valor, acrescido de juros ao final do prazo determinado.
10º - Fundos de renda fixa
Esses são fundos em que a maior parte da "cesta" é composta por ativos de renda fixa, como títulos públicos, CDBs e debêntures. Assim como em outros fundos, a gestão do fundo é feita por um profissional, que escolhe os papéis de acordo com a estratégia do fundo e é remunerado por meio das taxas cobradas dos investidores.