
Ibovespa dispara após queda forte da inflação e retoma patamar dos 177.000 pontos; dólar recua
Investidores apostam fichas em menos juros pela frente e mergulham na bolsa; lá fora, prevalece uma certa calmaria, sem novidades sobre os rumos da guerra entre EUA e Irã e com preço de petróleo estável
Os problemas são variados no cenário do investidor. Mas a pergunta é sempre a mesma: mais ou menos juros pela frente? Menos, se depender da inflação conhecida nesta sexta-feira (10). O IPCA registrado em junho ficou muito abaixo do piso das expectativas.
Como efeito, apetite por risco disparou.
- O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, a B3, encerrou o pregão com alta de 2,97%, aos 177.866 pontos. Na máxima do dia, encostou nos 178.000 pontos, patamar não visto desde 25 de maio. Na semana, ganha 2,18%.
- Todos os 78 papéis que compõem o índice registraram ganhos.
- Na mão contrária, a cotação do dólar caiu 0,27%, aos R$ 5,11 -- menor valor em quase um mês. Na semana, acumula desvalorização de 1,15%.
No detalhe, os números conhecidos nesta manhã são ainda mais animadores. O índice de difusão da inflação caiu de 65% para 54% entre maio e junho. Ou seja, o ritmo de alta dos preços está menos espalhado pela economia. Além disso, de nove classes de despesas consideradas pelo IBGE, sete ou tiveram inflação menor, ou entraram em processo de deflação (queda média de preços).
Mas nem tudo são flores, e o exterior pode trazer volatilidade ao longo do dia. De novo, as dúvidas encontram respostas no juros, no caso, americanos.
As tratativas de paz entre Estados Unidos e Irã têm naufragado, com o perdão do trocadilho. A semana começou com navios americanos sendo bombardeados. E, como resposta, a Casa Branca voltou a promover ataques no Oriente Médio. Assim sendo, o petróleo voltou a subir a partir do nível pré-guerra que havia sido atingido nas últimas semanas.
Vale, aqui, puxar o contexto recente.
Semanas atrás, investidores assumiram que a guerra era página virada. E, assim sendo, o petróleo afundou. Resultado? As altas de juros pareceram menos urgentes na maior das economias. Com o retorno das hostilidades, no entanto, um ajuste na política monetária dos Estados Unidos tornou a se fortalecer.
Enfim, se o retrovisor traz algum alívio, o horizonte preocupa. A ver como os investidores reagem, e mexem com os ativos, até o fim do pregão, às 17h.
Mercados lá fora
O último dia da semana nos mercados globais é marcado por uma certa calmaria, após dias de volatilidade, com a volta dos ataques dos Estados Unidos contra o Irã, que fez o preço do petróleo disparar.
Pela manhã, o presidente americano Donald Trump afirmou nesta que concordou em retomar as negociações de paz, após um pedido do Irã, mas ressaltou, por outro lado, que os Estados Unidos reforçaram que o cessar-fogo acabou.
- Em Nova York, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam campo positivo e acumulam alta de 1% na semana.
- Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 marcou estabilidade.
- O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de outras seis moedas fortes (euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço) acompanha a calmaria, sem oscilação.
- Os contratos do petróleo tipo Brent, a referência global de preços, registrou leve queda, cotados em torno dos U$ 75,00, valor ainda bem abaixo dos picos marcados no auge da guerra.
- No mesmo sentido, o ouro se acomodou em pouco mais de US$ 4.100, a onça-troy, 20% menos que o recorde registrado em janeiro deste ano, pouco antes da eclosão dos conflitos no Oriente Médio.