Inflação desacelera bem mais que o esperado em junho. O que será da Selic?

Inflação desacelera bem mais que o esperado em junho. O que será da Selic?

Inflação desacelera bem mais que o esperado em junho. O que será da Selic?

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo Banco Central (BC) para decidir a calibragem dos juros, subiu 0,16%, menor alta desde 2023; o piso das expectativas dos analistas era de 0,24%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo Banco Central (BC) para decidir a calibragem dos juros, subiu 0,16% em junho - menor alta desde 2023. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10), representam forte queda em relação ao 0,58% de maio. Vieram bem aquém do esperado. Essa desaceleração, em tese, joga a favor de novas quedas da Selic.

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Em 12 meses, o IPCA acumula até junho alta de 4,64%. Acima, portanto, dos 4,5% ao ano, que são o teto de tolerância acima da meta de 3% perseguida pelo BC.

A mediana das projeções de 27 consultorias e instituições financeiras colhidas pelo Valor Data apontava para alta de 0,31% em junho. O intervalo das estimativas ficou entre 0,24% e 0,37% - ou seja, a inflação veio menor que a mais otimista das apostas. No acumulado em 12 meses, o ponto médio das projeções ficou em 4,80%, em intervalo que tem piso em 4,73% e teto em 4,85%.

Destaque importante: o índice de difusão da inflação igualmente desacelerou. De 65%, em maio, para 54%, em junho. Logo, está menos espalhado pela economia o ritmo de alta dos preços.

Como a inflação mexe com a minha vida?

Quando a inflação está muito alta ou subindo de forma acelerada, o instrumento que o BC usa para conter esse avanço é a Selic, a taxa básica de juros no Brasil. Portanto, o BC aumenta os juros para encarecer o crédito às empresas e às pessoas e, dessa forma, conter o consumo e frear a inflação.

O mesmo acontece no cenário oposto. Se a alta dos preços está sob controle, a autoridade monetária tem mais espaço para cortar os juros (ou seja, "baratear o dinheiro") para incentivar que as empresas e as pessoas voltem a gastar sem que isso comprometa o bolso delas. Portanto, é um estímulo para a economia aquecer.

Em junho, o Banco Central cortou a Selic novamente em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,25% ao ano. No Termômetro do Copom, a maioria dos agentes do mercado voltou a apostar em novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião de agosto.

Escalada no conflito EUA x Irã acende alerta

Depois de dois dias dominados pela escalada militar entre Estados Unidos e Irã, o mercado voltou a apostar que a diplomacia prevalecerá sobre a guerra. Tudo caminhava para um acordo entre EUA e Irã, mas os recentes ataques entre os países voltaram a ocorrer nesta semana, ajudando na escalada do petróleo, que voltou a subir nos últimos dias e acendeu um alerta global.

O Irã é um dos maiores produtores da commodity do mundo e controla o estreito de Ormuz, um dos principais pontos de distribuição do produto que está fechado a mando dos iranianos. Portanto, uma guerra envolvendo o Irã afeta a oferta de petróleo e faz seu preço subir. Como o petróleo é base para combustíveis e para o transporte de praticamente todos os produtos, quando o barril sobe, empresas pagam mais caro por gasolina, diesel e energia, o que encarece a produção e a distribuição de muitos itens, desde alimentos, roupas e outros bens. Ou seja: há mais inflação.

No Brasil, o governo manteve a cautela em relação aos combustíveis, enquanto acompanha os desdobramentos do conflito e seus possíveis efeitos sobre a inflação, principal teste das expectativas de novo corte da Selic em agosto.

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