Inflação garante veraneio na bolsa e Ibovespa crava maior alta diária em quase 4 meses

Inflação garante veraneio na bolsa e Ibovespa crava maior alta diária em quase 4 meses

Inflação garante veraneio na bolsa e Ibovespa crava maior alta diária em quase 4 meses

Saldo do Dia: O alívio trazido pelo IPCA não apenas sepultou o estresse geopolítico que travou as mesas nos últimos dias, mas reabriu as portas para a Selic cair

O mercado passou os últimos dias orbitando a volatilidade do Oriente Médio, mas a sexta-feira (10) provou que o investidor ainda prefere o feijão com arroz dos fundamentos. Depois de uma tomada de fôlego na véspera, o Ibovespa viveu um verdadeiro dia de veraneio em pleno inverno.

- Conduzido por uma inflação que veio menor que as apostas de mercado, o índice avançou 3% no dia, sua maior alta em uma sessão desde 23 de março, o que carimbou a sua terceira semana seguida no positivo, com ganho acumulado de 2,2%.

O empurrão doméstico encontrou terreno no exterior, em uma sessão marcada pelo apetite por risco global, com as bolsas de Nova York, Europa e Ásia subindo, enquanto os contratos futuros de petróleo recuaram, esvaziando o dólar.

Por aqui, o grande responsável por tamanho otimismo no dia atende pelo nome de IPCA.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo avançou 0,16% em junho, a menor variação para o mês desde 2023, mostrando desaceleração frente aos 0,58% de maio.

O dado surpreendeu as mesas de operação, furando o piso das estimativas colhidas pelo Valor Data, cuja mediana apontava para uma alta de 0,31%.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a surpresa foi além do número cheio. "Isso por si só já é uma excelente notícia, mas quando olhamos para a composição, ficou ainda melhor", destaca.

Do ponto de vista qualitativo, mais sinais positivos: a inflação ficou menos espalhada pela economia, com o índice de difusão caindo de 65% para 54%, puxado pela forte reversão nos preços de alimentação e bebidas (que caíram 0,39% após subirem 1,33% no mês anterior) e pelo arrefecimento da média dos núcleos.

O economista chama a atenção para o comportamento da alimentação fora de casa, que tem peso importante no setor de serviços e lazer.

"A inflação de serviços, embora ainda rodando acima da meta, também vem se comportando melhor, e outros núcleos importantes se mostraram mais brandos", afirma.

A reação na curva de juros foi um verdadeiro alívio.

Com a inflação corrente dando sinais mais brandos, as taxas dos contratos futuros caíram firme, com os investidores limpando os prêmios principalmente nos vencimentos intermediários e longos.

- A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou de 14% para 13,900% no fim da sessão. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic;

- No médio prazo, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2029 cedeu de 14,23% para 13,980% no fim da sessão;

- Já a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2031 recuou de 14,395% para 14,165%. Vencimentos mais longos refletem uma maior preocupação com as incertezas fiscais do governo e com o ambiente macro externo.

Esse alívio no mercado de juros futuros abriu as comportas para as ações cíclicas domésticas, que dependem diretamente de crédito mais barato.

Os papéis do Magazine Luiza (MGLU3) lideraram a disparada com 7,4%, acompanhados por saltos de 6,7% e 6,1% de Cogna (COGN3) e SmartFit (SMFT3), respectivamente.

O apetite por risco transbordou para os grandes bancos e as exportadoras de commodities, com Bradesco (BBDC3) subindo 4,8%, enquanto Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3) pegaram carona no rali, com altas de 1,4% e 1,5%.

- Das 78 ações que fazem parte do Ibovespa atualmente, 77 subiram na sessão desta sexta-feira.

Seguindo o mesmo compasso, o mercado de câmbio limpou os excessos acumulados nos dias de maior estresse geopolítico.

O recuo dos contratos futuros de petróleo no exterior ajudou a esvaziar o dólar globalmente, após declarações de Donald Trump indicando a continuidade de negociações entre EUA e Irã.

O investidor reencontrou o apetite por risco e deu fôlego às moedas emergentes, com o real despontando entre os principais beneficiados.

- Sob o eco positivo do IPCA de junho, o dólar comercial recuou 0,3% hoje, cotado a R$ 5,1084, depois de testar uma mínima intradiária de R$ 5,0989. O recuo consolidou uma perda semanal de 1,15% para a moeda americana.

Com os novos números, o tabuleiro do Banco Central para o segundo semestre ganhou novas cores. E a porta para a retomada de cortes na Selic pode ter sido reaberta.

"Os dados corroboram as expectativas de corte de juros no próximo encontro do Copom, que acontece em agosto, provavelmente em 0,25%", avalia Perri.

Nos contratos de opções do Copom na B3, as probabilidades de um corte na taxa Selic foram reconfiguradas.

- Para a reunião de agosto, as apostas em uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros dispararam para 85% de probabilidade, contra apenas 12% de chance de manutenção;

- Para setembro, o mercado precifica a continuidade do movimento, apontando 49% de chance para outro corte de 0,25 ponto, enquanto a estabilidade retém 37%.

Apesar da euforia que tomou conta da bolsa hoje, os economistas recomendam manter os pés no chão.

No acumulado de 12 meses, o IPCA ainda roda a 4,64%, ligeiramente acima do teto de tolerância da meta (4,5%).

Há uma resiliência incômoda nos serviços de mão de obra devido ao mercado de trabalho aquecido, além de pressões sazonais climáticas ligadas ao El Niño que prometem rondar os preços de alimentos e energia até o início de 2027.

É fato que o dado de junho ofereceu um respiro e melhorou o horizonte de curto prazo.

No entanto, com a atividade ainda rodando acima do potencial e o cenário geopolítico demandando monitoramento por conta de possíveis choques no petróleo, a condução da política monetária continuará exigindo mãos firmes na calibragem do risco.

Ações negociadas em 10/07/2026

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