
Tesouro Direto: taxas caem após inflação surpreender; veja quanto pagam os títulos
Inflação menor aumenta apostas de corte da Selic pelo Banco Central e derruba principalmente os juros dos papéis prefixados
As taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto recuaram nesta sexta-feira (10), após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho mais fraco do que o esperado pelo mercado. O dado reforçou as apostas de que o Banco Central (BC) tem espaço para cortar a Selic na próxima reunião, em agosto.
O movimento foi mais intenso entre os títulos prefixados, que são mais sensíveis às mudanças nas expectativas para a trajetória dos juros. O Tesouro Prefixado 2029, que encerrou a quinta-feira (9) pagando 14,23% ao ano, ofereceu 13,98% nesta sexta.
O Tesouro Prefixado 2032 viu sua taxa recuar de 14,47% para 14,26%, enquanto o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 passou de 14,48% para 14,27%.
Entre os papéis atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 pagou uma taxa real de IPCA + 8,08% ao ano, abaixo dos 8,19% registrados na véspera. Já o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 ofereceu IPCA + 7,84%, ante 7,90% no fechamento anterior.
O Tesouro IPCA+ 2040 recuou para IPCA + 7,53%, enquanto o papel com vencimento em 2050 fechou o dia pagando IPCA + 7,23%.
Alívio na inflação
A queda nas taxas acontece depois que o IPCA de junho subiu 0,16%, abaixo da expectativa do mercado, que esperava alta de 0,31%. Uma inflação mais comportada tende a reduzir a pressão sobre o Banco Central para manter os juros elevados por mais tempo.
Os investidores acompanham de perto o principal índice de preços do país para tentar antecipar os próximos passos da Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
Segundo Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, o resultado de junho trouxe uma surpresa positiva não apenas pelo número cheio, mas também pela composição do índice.
“A surpresa foi relevante e relativamente incomum, principalmente porque as estimativas estavam bastante concentradas. A composição também foi favorável, com resultados melhores em alimentação, serviços e preços administrados”, afirma.
O economista destaca que a melhora não ficou limitada a itens mais voláteis, atingindo também componentes considerados mais persistentes da inflação.
A alimentação no domicílio foi o principal destaque do mês, com queda de 0,39%, puxada por alimentos industrializados, proteínas e produtos in natura.
Na avaliação de Pestana, o dado mostra um cenário mais favorável para a inflação no curto prazo e aumenta a possibilidade de redução de juros pelo Banco Central.
“Os dados recentes de inflação, bem como novas expectativas para os próximos meses, somados ao arrefecimento na margem dos dados de atividade e mercado de trabalho, abrem espaço para o Banco Central dar continuidade ao ciclo de cortes na reunião de agosto”, diz.
A Genial espera uma redução de 0,25 ponto na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A projeção da casa ainda é de que a taxa básica termine o ano em 14%, mas o IPCA de junho aumenta as chances de uma trajetória menor para os juros.
Apesar do alívio doméstico, o economista ressalta que a retomada das tensões no Oriente Médio ainda exige cautela, diante dos riscos externos para os preços e para os mercados globais.