A bolsa finalmente deu o sinal que o investidor esperava - mas a geopolítica estragou a festa

A bolsa finalmente deu o sinal que o investidor esperava - mas a geopolítica estragou a festa

A bolsa finalmente deu o sinal que o investidor esperava - mas a geopolítica estragou a festa

Saldo do Dia: O veraneio da semana passada deu lugar a uma forte tempestade. O barril do petróleo disparou mais de 9% com o bloqueio naval dos EUA no Irã. O Ibovespa seguiu a aversão global ao risco, mas encontrou na Petrobras um porto seguro

O investidor mal teve tempo de saborear o otimismo com o IPCA brando da última sexta-feira. A abertura dos negócios nesta segunda-feira (13) colocou o mercado diante de um descompasso de tempo: no momento em que a bolsa doméstica sinalizava uma retomada mais firme, o cenário externo cobrou o seu pedágio.

Do ponto de vista puramente técnico, o Ibovespa finalmente havia emitido o sinal que as mesas de operação esperavam. Segundo a análise gráfica do Itaú BBA, ao superar a barreira dos 174.900 pontos no pregão anterior, o principal índice da bolsa brasileira abriu caminho para buscar as resistências seguintes, em direção às máximas históricas.

O sinal de que o mercado local ainda tinha forças para subir no ano estava na mesa, mas os fundamentos acabaram colidindo de frente com uma barreira geopolítica.

- Com a escalada da guerra no Oriente Médio, o Ibovespa caiu 1,2% na sessão desta segunda-feira (13), para os 175.739 pontos. No mês, sustenta ganho de 2% e, no ano, o saldo positivo está em 9%.

O grande responsável por conter o ímpeto da B3 veio de fora, de novo.

Após um fim de semana de ataques mútuos no Estreito de Ormuz, o presidente americano Donald Trump endureceu o tom e anunciou o restabelecimento de um bloqueio naval contra o Irã.

O reflexo no mercado de commodities se deu por uma forte injeção de prêmio de risco, que levou o barril de petróleo Brent a saltar expressivos 9,6%, rompendo a barreira psicológica dos US$ 83, enquanto o contrato do WTI avançou 9,3%, cotado a US$ 78.

A disparada da commodity acabou desenhando uma dinâmica de contrapesos na bolsa brasileira.

As ações ligadas ao ciclo doméstico, mais dependentes de um horizonte de juros baixos, sofreram com a pressão vendedora.

Por outro lado, os papéis da Petrobras, que somam quase 11% de participação no índice, acompanharam o fôlego do petróleo e atuaram como uma espécie de porto seguro.

Ao absorver o impacto do mau humor global, as ações da estatal ajudaram a evitar uma queda ainda maior do Ibovespa.

- Das 78 ações que fazem parte da carteira teórica mais famosa do Brasil atualmente, 66 caíram.

- O giro financeiro da sessão ficou em R$ 14,1 bilhões, 3,4% menor que a média de julho, de R$ 14,6 bilhões, e quase 24% abaixo da média dos últimos 12 meses, de R$ 18,5 bilhões.

O conflito no Oriente Médio ganhou o reforço de um discurso mais rígido vindo de Nova York.

À tarde, o diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Christopher Waller, sinalizou que o banco central americano não hesitará em discutir uma alta de juros caso os indicadores de inflação desta semana venham acima do esperado.

O aviso atingiu em cheio os mercados globais, fazendo as bolsas americanas recuarem e impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries).

Temendo os impactos de uma taxa de juros americana mais alta e por mais tempo, a curva de juros futuros doméstica voltou a embutir prêmios, revertendo o alívio visto no final da semana passada.

- A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,905% no ajuste anterior para 13,955% no fim da sessão. Os prêmios nos contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas para a taxa Selic;

- No miolo da curva, o DI para janeiro de 2029 avançou de 14,01% para 14,23% no encerramento dos negócios;

- Já o contrato de DI para janeiro de 2031 subiu de 14,21% para 14,38%. Vencimentos mais longos refletem uma maior preocupação com as incertezas fiscais do governo e com o ambiente macro externo.

O reflexo natural dessa busca global por proteção desembarcou no mercado de câmbio. Sob o eco das tensões geopolíticas e do Fed vigilante, o real interrompeu sua trajetória de valorização.

- O dólar comercial fechou o dia em alta de 0,45%, cotado a R$ 5,1315. No mês até aqui, a moea americana cai 0,6% e, no acumulado do ano, fica 6,5% mais barato para o brasileiro.

Ações negociadas em 13/07/2026

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