Bitcoin cai com tensão entre EUA e Irã, mas semana decisiva ainda pode mudar rumo do mercado

Bitcoin cai com tensão entre EUA e Irã, mas semana decisiva ainda pode mudar rumo do mercado

Bitcoin cai com tensão entre EUA e Irã, mas semana decisiva ainda pode mudar rumo do mercado

Apetite dos investidores vai ser calibrado pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que provoca alta do petróleo, além da divulgação de dados de inflação dos Estados Unidos

O Bitcoin (BTC) opera em queda nesta segunda-feira (13), pressionado pelo aumento da aversão a risco nos mercados após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. A principal representante do mercado de criptoativos é negociada em torno dos US$ 62.000, na faixa da mínima registrada durante o dia, segundo dados da plataforma agregadora de preços Coingecko.

Ainda assim, o desempenho nos últimos sete dias segue praticamente estável, refletindo a dificuldade do mercado em definir uma direção diante das incertezas geopolíticas e macroeconômicas. Já no acumulado do mês, há um ganho de quase 5%.

O gatilho para a força vendedora neste fim de semana foi o anúncio do Irã de fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, após novos confrontos com os Estados Unidos. A alta da commodity reacendeu o temor de uma inflação mais resistente, cenário que pode levar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a manter os juros elevados por mais tempo — combinação que costuma reduzir o apetite por ativos de maior risco, como as criptomoedas.

Para Fabricio Tota, vice-presidente de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, o comportamento do Bitcoin no fim de semana mostrou certa resistência, apesar do ambiente adverso. "Se o Bitcoin conseguir se manter acima dessa região próxima dos US$ 63 mil, mesmo com o aumento da tensão geopolítica, isso será um sinal relevante de força compradora. Por outro lado, uma manutenção abaixo desse nível aumenta o risco de novos testes dos suportes em US$ 60 mil e, depois, US$ 58 mil", afirma.

Segundo Tota, os principais catalisadores da semana serão justamente a evolução do conflito no Estreito de Ormuz, além da divulgação, nos Estados Unidos, dos índices de inflação ao consumidor (CPI), na terça-feira (14), e ao produtor (PPI), na quarta-feira (15), além do comportamento dos investidores de longo prazo.

Esses investidores seguem sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado. De acordo com Tota, esse grupo acumulou mais de 55 mil Bitcoins desde o início de julho, movimento que ajuda a reduzir a oferta disponível para venda e explica por que a criptomoeda vem conseguindo preservar a região dos US$ 60 mil mesmo sob pressão.

Na avaliação de Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da Bitget para a América Latina, os investidores estão divididos entre duas narrativas. "A primeira é o prêmio de risco geopolítico, que sustenta a alta do petróleo, das ações ligadas ao setor de defesa e dos ativos tradicionais de proteção. A segunda é a divulgação do CPI dos EUA na terça-feira, que será determinante para avaliar se o aumento dos preços da energia começará a alterar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve."

Segundo Herrera, um dado de inflação acima do esperado tende a elevar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e pressionar ativos de risco, incluindo as criptomoedas. Já uma leitura mais fraca pode reforçar a percepção de que a alta do petróleo representa apenas um choque temporário de oferta, preservando o apetite por ativos digitais.

Os analistas da Bitfinex também avaliam que o cenário macro continuará sendo o principal direcionador do mercado nos próximos dias. Segundo a corretora, o Bitcoin conseguiu preservar sua faixa de negociação mesmo após enfrentar "a maior venda de ações da história da Strategy, a escalada das tensões no Oriente Médio e as divergências dentro do Federal Reserve".

Para a Bitfinex, embora julho costume ser um mês historicamente positivo para o Bitcoin, esse fator perdeu importância diante dos eventos desta semana. A corretora afirma que "o desempenho do Bitcoin continua fortemente condicionado ao cenário macroeconômico", especialmente à divulgação do CPI e às negociações envolvendo a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

Além disso, o mercado acompanhará de perto os fluxos dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos, já que uma segunda semana consecutiva de entradas líquidas pode reforçar os sinais de retomada da demanda institucional.

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