Tesouro IPCA+ rouba cena do Tesouro Reserva; em qual investir?

Tesouro IPCA+ rouba cena do Tesouro Reserva; em qual investir?

Tesouro IPCA+ rouba cena do Tesouro Reserva; em qual investir?

Títulos têm características diferentes e são ambos recomendados, mas a quantidade e os vencimentos indicados vão depender do seu objetivo e perfil de risco

O lançamento do Tesouro Reserva, título que segue a Selic e oferece liquidez diária com resgates 24 horas por dia e aos finais de semana, superou expectativas do Tesouro Nacional e atingiu, em junho, R$ 1,5 bilhão em investimentos. No mesmo período, porém, outro título entrou no gosto dos investidores e superou R$ 1,8 bilhão em vendas: o Tesouro IPCA+.

Com taxas recordes em um momento de aversão a risco dos grandes bolsos, os pequenos investidores aproveitaram o IPCA+8% para criar uma proteção de longo prazo na carteira. Essa é a principal função desse título e, nesse sentido, ele é recomendado para qualquer tipo de investidor. O quanto dele é recomendado é o que depende do seu perfil de risco.

O Tesouro Reserva também é amplamente recomendado, mas por enquanto apenas o Banco do Brasil oferece o produto. O Tesouro Nacional já disse que pretende levá-lo para os principais bancos e corretoras até o final do ano que vem. Apesar dos benefícios em relação ao Tesouro Selic, especialistas veem como mau negócio vender um para comprar outro.

Tesouro IPCA+ ou Reserva? Veja a diferença

O que preciso saber antes de comprar Tesouro IPCA+?

O Tesouro IPCA+ remunera um retorno real sobre o IPCA, que é o principal índice de inflação da economia brasileira. Retorno real é o quanto você ganhou em valores nominais (o que você lê na tela) descontada a inflação. Por exemplo, se a inflação for 4% ao ano, e o título paga IPCA+8,5%, o seu retorno nominal seria 12,5%, e real seria 8,5%. Ora, a Selic é 14,25%. Vale mais a pena comprar ela, então?

Não necessariamente. No longo prazo, ninguém sabe quanto será a Selic, nem a inflação. Se uma crise econômica fizer a inflação acelerar, os retornos nominais são consumidos pela alta de preços, e o ganho real cai. Por outro lado, se a inflação cair, o banco central provavelmente reduzirá os juros, e o retorno daquele Tesouro Selic que você comprou hoje pode cair muito.

Ainda que haja proteção, fica evidente que quando falamos do futuro, o risco aumenta. Para Guilherme Almeida, superintendente de renda fixa da Suno Research, quanto mais disposto a assumir riscos for o investidor, mais longos podem ser os títulos no seu portfólio. Quanto mais conservador, menor deve ser esse prazo da carteira ("duration").

“Um perfil arrojado pode ter no seu portfólio IPCA+ 2040, IPCA+ 2050, que são produtos que estão sendo negociados a taxas historicamente muito elevadas. Agora, se o objetivo é de curto prazo, abaixo de 2 anos, é impensável alocar em IPCA+”, diz.

Vale a pena vender Selic para comprar Reserva?

O Tesouro Reserva oferece praticamente o mesmo rendimento que o Tesouro Selic e pode ser negociado 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados. Apesar dos benefícios, não é recomendado vender Selic para comprar Reserva em razão dos custos envolvidos nessa operação.

Quando você vende um investimento, incide o imposto de renda. Além disso, se você comprou há menos de 30 dias, há cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). De forma que, ao vender para comprar de novo, a perda superar o retorno na forma de juros que você esperava para o ano.

Há a limitação de o Tesouro Reserva estar disponível apenas pelo aplicativo do Banco do Brasil. Por isso, ele fica mais atrativo para quem já é cliente da instituição.

Tesouro ou corretora: qual vale mais a pena?

Por fim, é possível comprar títulos tanto via Tesouro Direto tanto via corretoras. No primeiro caso, há uma taxa de corretagem de 0,20% ao ano, para valores superiores a R$ 10 mil. Ela não existe no caso das corretoras, mas também há uma taxa, normalmente cobrada na forma na forma de uma taxa entre a compra e a venda, onde a instituição lucra.

No caso das corretoras, além disso, o investidor consegue acessar uma ampla maior de produtos no mercado secundário (aquele no qual investidores compram e vendem entre si). Quando se compra no Tesouro Direto, há um limite de quais títulos podem ser comprados, que são aqueles emitidos pelo Tesouro naquele dia.

Ou seja, é possível encontrar opções mais vantajosas nas corretoras, mas nem sempre será o caso. Ao fim, a recomendação de Almeida é olhar os rendimentos nas duas opções e avaliar caso a caso, de acordo com seus objetivos, e levando em conta as taxas de corretagem e de compra e venda.

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