
Trump diz que EUA serão 'guardiões' de Ormuz e cobrarão taxa por proteção de navios
Petróleo sobe após presidente falar em sua rede social Truth Social que os EUA serão 'reembolsados à taxa de 20% sobre toda carga transportada'
Por Valor, Com Reuters, Valor — São Paulo
Atualizado
O presidente Donald Trump voltou a afirmar nas redes sociais nesta segunda-feira que os Estados Unidos serão os "guardiões" do Estreito de Ormuz e cobrarão uma taxa de 20% sobre toda carga transportada pela hidrovia para custear a proteção da navegação. A via marítima é considerada estratégica por concentrar parte significativa do transporte global de petróleo e gás natural.
Com as perspectivas de uma solução diplomática cada vez mais distantes, o petróleo Brent subiu cerca de 4% nesta segunda-feira, para aproximadamente US$ 79 por barril.
“Os Estados Unidos passarão, a partir de agora, a ser conhecidos como ‘OS GUARDIÕES DO ESTREITO DE ORMUZ’ e, por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados à taxa de 20% sobre toda carga transportada, para cobrir todos os custos necessários ao trabalho de garantir segurança e proteção nessa região tão volátil do mundo. O processo e sua implementação começarão imediatamente”, escreveu Trump em publicação na Truth Social.
Na postagem, o presidente americano ainda acrescentou que o estreito “está aberto e continuará aberto, com ou sem o Irã” e afirmou que será restabelecido o bloqueio americano a navios iranianos e a embarcações de clientes de Teerã que tentem entrar ou sair pela via marítima. “Estamos restabelecendo o BLOQUEIO IRANIANO, assim chamado porque impede apenas que navios iranianos ou de seus clientes entrem ou saiam. Todos os demais países terão acesso livre e irrestrito ao estreito”, disse.
Mais cedo, em entrevista por telefone ao programa "Fox & Friends", da Fox News, Trump já havia dito que as forças americanas iriam administrar a hidrovia. "Nós vamos protegê-lo [Ormuz]. E vamos ser pagos por protegê-lo — muito dinheiro", afirmou Trump. [...] Vamos ser reembolsados, porque os outros países são muito ricos. Eles estão do nosso lado e não se pode esperar que façamos isso de graça", declarou o republicano.
Ainda na entrevista concedida à Fox, o presidente voltou a dizer que o país persa violou os termos do acordo e que, por essa razão, serão bombardeados “com muita força”. "Tínhamos um acordo. Era um acordo fechado, e eles [Irã] o romperam. Eles sempre rompem. Fizemos dez acordos com essas pessoas e, por isso, vamos atacá-los com muita força", afirmou..
Pouco depois, em uma aparente resposta a Trump, o principal comando militar conjunto do Irã, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, reiterou que o país não permitirá que os EUA intervenham na gestão de Ormuz. Segundo um comunicado divulgado pela imprensa estatal, o grupo enfatizou que qualquer tentativa das Forças Armadas americanas de organizar o trânsito pelo estreito fora das rotas designadas por Teerã e sem coordenação com as Forças Armadas iranianas será duramente repelida.
As declarações ocorrem em um momento de escalada de tensões entre Washington e Teerã após sucessivos ataques trocados ao longo do fim de semana e desta segunda-feira. Embora um acordo firmado no mês passado entre o presidente americano e seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, tenha buscado encerrar as hostilidades, os dois países divergem sobre o controle da navegação no Estreito de Ormuz.
A República Islâmica tem afirmado sucessivas vezes que o memorando de entendimento lhe dá autoridade para regular o tráfego da hidrovia, enquanto os EUA insistem que a passagem deve permanecer aberta à navegação internacional.
Após um breve período de normalização, o movimento de navios voltou a cair acentuadamente depois que o Irã atacou, no sábado, um porta-contêineres de bandeira cipriota, acusado de desrespeitar as condições impostas por Teerã para cruzar a hidrovia. A MarineTraffic informou nesta segunda-feira que a atividade de embarcações no estreito caiu cerca de 52% entre 10 e 12 de julho em comparação com a semana anterior.
Também nesta segunda-feira, autoridades do Irã voltaram a elevar o tom das ameaças. Entre os integrantes da ala mais conservadora do regime, Ali Bagheri Kani, vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, defendeu uma retaliação contra os EUA pela morte do ex-líder supremo aiatolá Ali Khamenei, classificando-a como "um direito da nação iraniana", segundo a televisão estatal. Nas últimas semanas, integrantes da linha-dura vêm adotando um discurso cada vez mais favorável à continuidade do confronto.
Além disso, as Forças Armadas iranianas anunciaram uma nova rodada de ataques contra instalações militares americanas no Oriente Médio, com alvos na Jordânia, no Bahrein, no Kuwait e em Omã. Os EUA, em contrapartida, disseram ter atacado sistemas de defesa aérea iranianos, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones e pequenas embarcações no domingo, utilizando aeronaves, navios de guerra e drones.
A escalada é o episódio mais recente de quase uma semana de confrontos entre Washington e Teerã em torno do controle do estreito, rota por onde, antes da guerra, passava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito.