
Verde vê aumento da volatilidade com eleições e mantém aposta em juro real nos EUA
Gestora avalia que cenário político no Brasil e mudanças na comunicação do Fed devem manter mercados mais instáveis; fundo teve ganhos com hedge cambial e ações em junho
A gestora Verde avalia que os próximos meses devem ser marcados por um aumento da volatilidade nos mercados, tanto por mudanças na política monetária dos Estados Unidos quanto pela aproximação do calendário eleitoral brasileiro. Na carta mensal divulgada nesta segunda-feira (13), a casa afirma que segue buscando oportunidades para se posicionar diante desse cenário, especialmente em ativos que possam se beneficiar de movimentos mais acentuados do mercado.
No Brasil, a gestora afirma que o mercado continua pressionado pela saída de investidores estrangeiros e pelo aumento dos ruídos políticos conforme as eleições se aproximam. Ao mesmo tempo, avalia que o governo mantém uma política de expansão dos gastos públicos e parafiscais, enquanto o mercado global permanece concentrado nas empresas beneficiadas pelos investimentos em inteligência artificial, deixando os ativos brasileiros em segundo plano.
No cenário internacional, a Verde destaca que o início do mandato de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) foi o principal evento macroeconômico de junho. Segundo a gestora, ao contrário da expectativa predominante de que o novo presidente adotaria uma postura mais favorável ao corte de juros, Warsh estreou com um discurso enxuto, centrado no combate à inflação e sem sinalizar os próximos passos da política monetária.
Na avaliação da casa, essa mudança representa uma ruptura em relação ao padrão de comunicação adotado por seus antecessores e lembra o estilo mais reservado do ex-presidente Alan Greenspan. A gestora observa que o mercado ainda passa por um período de adaptação para interpretar os sinais emitidos pela nova liderança do Fed, movimento que levou investidores a precificar altas de juros nos próximos meses e reforçou a tese do "excepcionalismo americano".
Em junho, o fundo registrou ganhos nas operações de proteção (hedge) ligadas ao cupom cambial e no livro de trading de ações. As perdas vieram das posições em metais preciosos, juros reais americanos e bolsa brasileira, refletindo principalmente a reação dos mercados ao novo posicionamento do Federal Reserve. A rentabilidade ficou negativa em 0,69%, mas segue com ganho de 7,02% no acumulado do ano.
Em relação ao posicionamento da carteira, a Verde elevou marginalmente sua exposição à renda variável brasileira por meio de opções e manteve estável a alocação em ações globais. A gestora segue sem posições direcionais em renda fixa local, preservou a aposta aplicada em juros reais nos Estados Unidos, manteve investimentos em ouro e prata, reduziu a proteção de crédito da Arábia Saudita e não alterou a exposição ao crédito privado brasileiro.