
Governo do Rio muda estrutura do Rioprevidência após fundo entrar na mira da PF por ligação com Master
Entre as mudanças, cargos de diretores de administração e finanças, de seguridade e de investimentos passam a ser exclusivos de servidores especialistas em Previdência Social
Por Liane Thedim e Alessandra Saraiva, Valor — Rio
Atualizado
Sob forte escrutínio após altos investimentos no Banco Master, o Rioprevidência terá toda a sua estrutura revista e novos mecanismos de transparência e gestão dos recursos de mais de 230 mil servidores do Estado. Em decreto publicado neste segunda, o governador interino do Rio, desembargador Ricardo Couto, também ampliou a participação de servidores de carreira em funções estratégicas na fundação. Segundo a Polícia Federal, o Rioprevidência investiu R$ 3,7 bilhões em fundos e letras financeiras do Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.
A partir de agora, os cargos de diretor de administração e finanças, de seguridade e de investimentos passam a ser exclusivos de servidores que ocupem a carreira de “Especialista em Previdência Social”, sendo que o de seguridade será indicado por sindicatos e associações por meio de lista tríplice. Atualmente, segundo comunicado do governo, todos os diretores e gerentes do Rioprevidência já são servidores de carreira, mas não havia regra prevendo a restrição.
O presidente pode ser indicado pelo governador, e o diretor jurídico deverá ser um procurador do Estado. Representantes dos segurados no conselho de administração passam a ter mandato de um ano, com possibilidade de recondução ao cargo. O governo do Estado afirmou, no comunicado, que o decreto também descentraliza diversas atribuições e, com isso, amplia a transparência das decisões, mas o texto não deixa claro como isso acontecerá. A reforma da estrutura extingue e cria diversas unidades administrativas, e especifica que não haverá aumento de despesas por isso.