
Petróleo voltou a ultrapassar os US$ 80. E agora?
Cesta Básica: tudo que você precisa saber para começar o dia bem informado
Até poucos dias atrás, o mercado ainda se questionava se os novos ataques no Oriente Médio seriam apenas um movimento dos Estados Unidos e Irã tentando pressionar o outro para um acordo mais vantajoso para sua parte. Agora, porém, a escalada das ações militares fez com que a leitura passasse a ser de que a guerra pode voltar à "estaca zero". Com isso, os preços do petróleo voltaram a escalar, o que deve movimentar a bolsa hoje. Ao mesmo tempo, os investidores monitoram de perto os dados inflacionários dos Estados Unidos, bem como a sabatina de Kevin Warsh, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
Em que pé anda a guerra?
Os Estados Unidos lançaram sua terceira noite consecutiva de ataques ao Irã. Segundo agências internacionais, o Comando Central dos Estados Unidos disse que a última rodada começou no fim da tarde de ontem (13), em horário local, para "continuar impondo um alto custo às forças iranianas e degradar sua capacidade de atacar civis inocentes e navios comerciais no Estreito de Ormuz". Ao mesmo tempo, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse em uma estação de rádio que os Estados Unidos iriam atacar o Irã "com muita força" na segunda e terça-feira e que não haveria nada que os iranianos poderiam fazer a respeito.
Assim, o mercado passou a entender que as trocas de ataques não tratam-se apenas de uma forma de pressionar o rival a assinar um acordo vantajoso, mas sim de uma nova escalada militar que pode ser mais longa do que o previsto.
A consequência disso foi uma nova escalada do petróleo, que voltou a ultrapassar a marca de US$ 80 o barril. Por volta das 7h40, o Brent (referência global) subia 4,36%, cotado a US$ 86,93. Já o WTI (referência norte-americana) subia 3,19%, cotado a US$ 80,63.
E agora? Olho nos dados!
O fato é que mesmo com o cessar-fogo, o mercado ainda não sabia quais eram as consequências da guerra para a economia global, especialmente no que diz respeito à inflação. E se o cenário já estava incerto em meio ao suposto “fim da guerra”, agora que o conflito voltou ele ganha contornos mais nebulosos ainda. Assim, os indicadores econômicos ganham um protagonismo ainda maior, afinal, serão eles que mostrarão o tamanho do impacto da guerra na economia global.
Hoje, às 9h30 de Brasília, o Escritório de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos (BLS) divulga o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de junho. Na leitura de maio, o índice subiu 0,5% na passagem mensal e 4,2% na anual. Agora, se a inflação vier mais forte do que o esperado, significa que há menos espaço para o Fed pensar em um corte de juros.
Por falar no banco central norte-americano, às 11h, o presidente Kevin Warsh será sabatinado na Câmara dos Representantes. O mercado monitora de perto as falas porque elas podem trazer pistas sobre o futuro dos juros por lá, que também podem impactar a previsão de juros mundo afora.