Quatro ações de bancos para ter na temporada de balanços, segundo o Itaú BBA

Quatro ações de bancos para ter na temporada de balanços, segundo o Itaú BBA

Quatro ações de bancos para ter na temporada de balanços, segundo o Itaú BBA

Analistas passam a tesoura nas projeções de gigantes como Banco do Brasil e Santander, mas apontam motores claros de crescimento; veja a lista completa

Com as ações do setor financeiro negociadas a preços de barganha e um cenário macro mais duro, o mercado se prepara para uma temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 sem grandes ilusões. Mas os números devem revelar um abismo entre os resultados. O Itaú BBA projeta que apenas um grupo seleto de empresas tem o mapa da mina para entregar um crescimento robusto.

Em relatório, a instituição atualizou suas projeções e carimbou suas preferências. No topo das recomendações de compra aparecem Bradesco, Nubank, BTG Pactual e dLocal. Na outra ponta, a cautela impera sobre nomes como Banco do Brasil, Santander, Inter e XP.

Bancos tradicionais

O Bradesco é a principal escolha do Itaú BBA no setor. A expectativa é de mais um trimestre de alta qualidade, com lucro líquido de R$ 7,1 bilhões (alta de 16% em base anual) e um retorno sobre o patrimônio (ROE) de 16,1%.

Os analistas destacam o avanço de 8% na carteira de crédito, crescimento de 12% na margem financeira (NII) e o forte desempenho do braço de seguros (+18%).

Atualmente, o banco negocia a múltiplos atraentes: 1 vez o valor patrimonial e 6,5 vezes o lucro estimado para 2026.

Na contramão, o Banco do Brasil (BB) deve amargar mais um trimestre fraco. A estimativa é de uma queda de 25% no lucro líquido na comparação anual, para R$ 2,9 bilhões, com o ROE desabando para 5,8%.

O desempenho deve ser afetado pela sazonalidade do crédito rural e por uma deterioração mais ampla da carteira, que deve elevar o custo do risco para 6,4%.

O Santander Brasil também deve frustrar, com lucro líquido projetado de R$ 3,6 bilhões (queda de 1% anual e 5% trimestral) e ROE de 14,7%.

Como o Santander abre a temporada do setor no dia 29 de julho, o Itaú BBA alerta para o risco de um desempenho fraco "contaminar" a percepção do mercado sobre os demais bancos privados.

Bancos digitais

Após os temores com provisões que assombraram o Nubank no primeiro trimestre, a casa de análise projeta um período de forte recuperação para a fintech. A maturação e a normalização do crédito devem fazer a margem financeira ajustada ao risco subir de 9,3% para 10,3%.

O banco digital deve registrar um crescimento expressivo de 37% na carteira de crédito (desconsiderando o efeito cambial) e de 40% na margem financeira (IFRS).

Com isso, o lucro líquido estimado é de R$ 4,8 bilhões (cerca de US$ 950 milhões), um salto de 33% em 12 meses, ostentando um ROE de 28,4%.

Para os analistas, os números devem afastar a desconfiança recente do mercado e reatar o apetite dos investidores pelo papel, cujo múltiplo recuou de mais de 20 vezes para cerca de 14 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses.

Para o Inter, contudo, a visão é bem mais conservadora. O Itaú BBA revisou as estimativas do banco para baixo devido à compressão das margens ajustadas ao risco e ao custo do crédito, que deve rodar acima de 6%.

Como resultado, o lucro líquido deve andar de lado, estacionado em R$ 401 milhões, o equivalente a um ROE de 15%.

Mercado de Capitais

Mesmo enfrentando um ambiente de menor atividade para o mercado de capitais, o BTG Pactual segue como o favorito absoluto do segmento.

O banco de investimentos deve registrar um lucro líquido praticamente estável e muito próximo ao seu recorde histórico, em R$ 4,85 bilhões, com um ROE de 25,3%.

O resultado será blindado pela expansão de 27% na carteira de crédito corporativo e por uma forte captação líquida, superior a R$ 30 bilhões, nas áreas de Wealth e Asset Management.

Esse fôlego deve compensar o tombo de 50% nas receitas de banco de investimento (DCM) na comparação com o primeiro trimestre.

Na B3, o menor volume médio diário negociado (ADTV) deve reduzir as receitas em 5% na comparação trimestral. No entanto, o lucro líquido contábil deve saltar para R$ 1,7 bilhão devido a fatores extraordinários, como a venda da fatia na Dimensa e uma distribuição extraordinária de R$ 750 milhões em IOC.

Excluindo esses efeitos não recorrentes, o Itaú BBA estima que o lucro recorrente da companhia ficaria em R$ 1,4 bilhão.

Já para a XP, a palavra de ordem continua sendo de cautela. Embora a casa veja uma melhora nas margens e um bom controle de despesas corporativas, a dinâmica de receitas segue fraca, com a entrada líquida de recursos ainda abaixo da marca de R$ 20 bilhões.

O lucro líquido projetado para a corretora é de R$ 1,3 bilhão.

Seguros

O Itaú BBA projeta trajetórias opostas para a Caixa Seguridade e para a BB Seguridade em termos de captação de novos negócios, embora ambas ainda colham bons frutos na linha final do balanço graças ao ambiente macroeconômico.

Para a Caixa Seguridade, a estimativa é de um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão, o que representa uma alta de 9% na comparação anual.

O grande motor desse crescimento deve ser o avanço de 8% nos prêmios emitidos, impulsionado pelo segmento habitacional.

Além disso, a área de previdência continua registrando forte entrada líquida de recursos, embora a rentabilidade geral sofra uma leve pressão devido à maior fatia de produtos com taxas de administração mais baixas.

Na outra ponta, a BB Seguridade deve reportar um lucro líquido de R$ 2,1 bilhões, sofrendo uma queda de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Esse recuo é explicado pelo desempenho da Brasilseg, cujos prêmios emitidos devem encolher 6%, pressionados pela menor atividade nos ramos de seguro prestamista e rural.

Apesar das dinâmicas distintas, os analistas destacam que ambas as companhias serão blindadas por índices de sinistralidade controlados e por um resultado financeiro robusto, inflado pelo cenário de juros elevados.

No geral, porém, a casa de análise vê pouco espaço para revisões positivas de lucros para o setor daqui para frente.

Pagamentos

O cenário doméstico para as credenciadoras independentes continua difícil, segundo o Itaú BBA, marcado por volumes fracos e pressão sobre os "take rates" (a fatia que essas empresas recebem em cada transação realizada nas maquininhas).

A Stone deve registrar um lucro líquido de R$ 581 milhões (queda de 3%), com o volume total processado (TPV) subindo tímidos 2,8%.

O PagBank deve ir pelo mesmo caminho, com TPV e lucros praticamente estáveis (R$ 572 milhões), onde a expansão da carteira de crédito bancário deve apenas mitigar a queda de receitas.

O grande destaque no setor de pagamentos continua sendo a dLocal, segundo o Itaú BBA. Favorecida pela expansão na América Latina e em outros mercados internacionais, a companhia deve registrar uma disparada de 61% no volume processado, alcançando a marca de US$ 14,9 bilhões.

A receita estimada para a empresa é de US$ 354 milhões (+38%), enquanto o lucro líquido deve saltar 44%, batendo os US$ 61,8 milhões.

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