
ETF de tecnologia da China sobe quase 11% em apenas um mês. Vale investir?
Fundo que replica o índice ChiNext sobe no embalo de decisões tomadas pelo governo de Pequim
Depois de o órgão regulador chinês prometer implementar uma série de reformas para impulsionar o mercado de tecnologia, o índice ChiNext, que reúne empresas de tecnologia e inovação da China, disparou. Com isso, o ETF que replica a composição do índice entregou nada mais, nada menos que 10,5% de alta só no mês de junho.
Segundo um levantamento feito pela Quantum, o TECX11 foi o terceiro ETF com maior valorização da bolsa brasileira no mês passado. Ele perdeu apenas para o CHIP11, que subiu 12% e acompanha empresas de semicondutores, e ficou praticamente empatado com o HTEK, de tecnologia na saúde, que subiu 10,54%, mas só tem oito cotistas. No acumulado do ano até junho, o TECX11 tinha alta de 27,26%.
O fundo é gerido pela Bradesco Asset Management e replica o índice ChiNext da bolsa de Shenzhen, que é focado em empresas de tecnologia e fornecedores de ferramentas para a inteligência artificial. Só no primeiro semestre, esse índice subiu 36%.
E, ao que tudo indica, ele pode continuar subindo. Isso porque a China vem preparando uma série de reformas para impulsionar ainda mais este mercado. Não à toa, o presidente da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China, Wu Qing, afirmou que apoiará empresas de inteligência artificial de grande porte e alta qualidade na abertura de capital e fortalecerá o apoio para o desenvolvimento de startups nesses mercados.
Mas ainda que a tese da inteligência artificial esteja ganhando força, é preciso avaliar outros itens antes de investir no ETF.
Um dos principais pontos é o número de cotistas. Se há muitos investidores no produto, significa que também existem muitas pessoas comprando e vendendo as cotas, o que pode facilitar a vida de quem investiu e depois quer vender. O contrário também é verdadeiro: quanto menos cotistas, menor é a liquidez.
No caso do TECX11, o levantamento da Quantum mostrou que o fundo tinha 1,3 mil investidores em junho e patrimônio líquido de R$ 72,3 milhões.
Os números colocam o TECX11 ainda longe dos ETFs mais populares da B3. Para se ter uma ideia, alguns dos fundos de índices com o maior número de cotistas da bolsa são o IVVB11, que acompanha o índice S&P 500 da bolsa americana e reúne cerca de 175 mil investidores; o HASH11, que acompanha o mercado de criptoativos e tem 127 mil cotistas e o BOVA11, que segue o Ibovespa e tem 95 mil investidores.
Antes de aplicar, o investidor também precisa avaliar se aquele ETF faz sentido para o seu perfil e para a composição da sua carteira. Embora o setor de tecnologia e inteligência artificial tenha apresentado um desempenho expressivo recentemente, trata-se de um mercado que costuma ser mais volátil e que pode registrar oscilações relevantes ao longo do tempo. Além disso, por investir em empresas chinesas, o fundo também está sujeito a fatores específicos do país, como mudanças regulatórias, cenário econômico e questões geopolíticas.
No fim das contas, mais importante do que acompanhar a rentabilidade recente é entender os riscos envolvidos e verificar se esse tipo de investimento contribui para uma carteira diversificada e alinhada aos seus objetivos de longo prazo.