
Ânima (ANIM3) tomba mais de 30% após compra da FMU preocupar analistas
Analistas veem preço elevado, aumento da dívida e desafios para integrar a universidade em recuperação judicial
As ações da Ânima Educação (ANIM3) despencam mais de 30% no pregão desta quarta-feira, refletindo a recepção negativa do mercado à compra da FMU. Embora a companhia defenda que a aquisição fortalece sua presença em São Paulo, analistas avaliam que o preço pago foi elevado e que a operação aumenta o endividamento justamente em um cenário de juros altos.
A Ânima anunciou a compra da FMU por R$ 410 milhões, com um pagamento adicional condicionado ao desempenho da instituição ("earn-out"), que pode elevar o valor total da operação para R$ 560 milhões. A FMU, que está em recuperação judicial, tem cerca de 51 mil alunos e registrou receita líquida de R$ 281,7 milhões e Ebitda de R$ 52,9 milhões nos 12 meses encerrados em março de 2026.
Para o Citi, a companhia pagou um múltiplo de 10,6 vezes o Ebitda da FMU, muito acima das cerca de 3,3 vezes em que a própria Ânima é negociada. O banco considera o prêmio difícil de justificar e destaca que a empresa recomprou um ativo que havia vendido em 2021. Também alerta que o nível de endividamento deve subir de 2,4 para 2,7 vezes o Ebitda, tornando mais desafiadora a integração de uma instituição em recuperação judicial.
O Jefferies também considera o múltiplo elevado — 10,5 vezes o Ebitda, acima das 3 a 4 vezes observadas no setor —, mas avalia que parte desse prêmio pode ser explicada pela posição estratégica da FMU em São Paulo e pelas sinergias esperadas. Ainda assim, estima que a dívida também subirá para 2,7 vezes o ebitda.
Já o J.P. Morgan afirma que a aquisição vai na contramão da expectativa dos investidores, que esperavam continuidade da desalavancagem da companhia. O banco calcula que a relação entre dívida líquida e Ebitda passará de 2,66 para 3,05 vezes e avalia como desafiadora a meta da administração de elevar significativamente a rentabilidade da FMU, embora reconheça o ganho estratégico de ampliar participação no mercado paulista.
O Citi mantém recomendação neutra para a Ânima, com preço-alvo de R$ 4,80. O J.P. Morgan também recomenda posição neutra, sem preço-alvo divulgado.
Com informações do Valor PRO, serviço de notícia em tempo real do Valor Econômico.