
Potencial de alta das ações brasileiras é o maior desde 2024. Veja o ranking
Estimativas coletadas pelo Valor Data mostram que o pessimismo está ficando para trás
O consenso de analistas de mercado mostra que as projeções de alta para as ações brasileiras voltaram a ganhar força nos últimos meses, depois de baterem no piso do estudo no início de 2026. Dados do Valor One, plataforma criada pelo Valor para ajudar o investidor a tomar melhores decisões sobre seu dinheiro, mostram que a chamada mediana do potencial de alta (ou seja, o ponto central das estimativas do chamado “upside”) das ações da bolsa brasileira ante o preço atual subiu para 48% em junho, depois de ficar em 39% em maio e em 31% em abril.
Esse é o maior patamar do indicador desde dezembro de 2024, quando marcou 62% no início da série histórica mapeada pelo Valor One.
O aumento do potencial de alta mês a mês, no entanto, foi um movimento recente, que começou a ganhar força de março pra cá. Antes, o indicador oscilava entre altos e baixos e chegou a cair para 14% em janeiro deste ano.
É importante destacar que esse potencial de alta tem relação direta com o próprio comportamento das cotações. O Ibovespa chegou a renovar seu recorde real pela primeira vez em 18 anos no mês de abril, portanto, o desconto que as principais ações têm em relação ao preço considerado justo estava diminuindo. Depois disso, contudo, o índice passou por algumas correções importantes e chegou a cair mais de 7% em maio, o que abriu margem para novas altas, apesar de a carteira acumular ganhos de mais de 9% neste ano.
Há ainda um ponto que merece destaque: embora o upside tenha subido (porque muitas ações caíram e ficaram "mais baratas"), os bancos estão marginalmente mais cautelosos, já que a proporção de recomendações de "compra" caiu. Em janeiro deste ano, havia 562 recomendações de compra, o que representava aproximadamente 56,5% do total de recomendações naquele mês. Em julho, o número caiu para 542 recomendações, reduzindo a proporção para 53,8%.
Em contrapartida, em janeiro existiam apenas 19 recomendações de venda, correspondendo a cerca de 1,9% do total. Já em junho, o número subiu para 26 recomendações, elevando a proporção para aproximadamente 2,7%.
Portanto, o mercado está mais seletivo, e não necessariamente mais otimista de forma generalizada.
Entenda a metodologia
O levantamento do Valor Data começou a ser feito com base nas informações colhidas junto aos seguintes bancos e corretoras que alimentam o consenso de mercado do Valor PRO e do Valor One. Com base em projeções de fluxo de caixa descontado e múltiplos de mercado, os analistas dessas casas estimam preços-alvo de dezenas de ações acompanhadas para o fim do ano corrente, do ano seguinte ou para o horizonte de 12 meses.
O levantamento do Valor Data então calcula a média desses preços-alvo para cada papel e estima o potencial de alta ou baixa das ações, conforme o consenso dos analistas. Para o cálculo da mediana geral do mercado de upside de 47,5% ao fim de junho, foram consideradas apenas as ações para as quais há pelo menos três analistas indicando preço-alvo.
Quem tem mais potencial de alta? E quem tem menos?
Segundo o levantamento feito mensalmente, ao fim de junho, as ações com maior potencial de valorização (ou seja, com os maiores upsides), entre aquelas com pelo menos sete recomendações, são as da Magazine Luiza (com projeção média de alta de 137%); da CSN (com 113%); da MRV (com 106%); da Azzas 2154 (com 103%) e da Simpar (com 100%).
Vale destacar que nomes como Magazine Luiza, CSN e MRV não figuravam entre os destaques recorrentes de upside do estudo como um todo. A entrada deles no topo do ranking em junho é mais recente e está ligada à forte alta do potencial de alta médio de mercado observada no primeiro semestre de 2026, puxada principalmente por quedas de cotação em ações cíclicas, como varejo e siderurgia.
Ações com maiores upsides
Por outro lado, aquelas com as menores expectativas de alta (ou maiores expectativas de queda) são: a BB Seguridade (com projeção de queda de 5%); a Ambev (com estimativa de recuo de cerca de 1%); a Taesa (também com projeção de queda próxima de 1%); a Caixa Seguridade (praticamente estável) e a Usiminas, com projeção de alta marginal, de menos de 2%.
Já Taesa segue como o destaque negativo mais consistente da série desde o início do levantamento, aparecendo com frequência entre os papéis com menor margem de segurança segundo o consenso dos bancos. Isso, no caso de uma companhia do setor elétrico e boa pagadora de dividendos, não significa necessariamente uma tese de venda.
Ações com os menores upsides
Para ver no detalhe quais são as recomendações de compra e venda de cada banco e corretora, bem como os preços-alvos que eles projetam para as ações, basta acessar a página de recomendações e análises do Valor One.