
Ações da SpaceX atingem mínima abaixo do valor do IPO
Papéis operaram abaixo dos US$ 135 da oferta inicial; a partir de agosto, funcionários e investidores da primeira hora poderão vender 911,5 milhões de ações
Atualizado
A queda das ações da SpaceX para baixo dos US$ 135 fixados em sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) é um sinal preocupante para a empresa de internet e foguetes de Elon Musk, que enfrenta a perspectiva de mais oscilações no início de agosto, quando o número de ações disponíveis para negociação na Nasdaq deve aumentar de forma significativa.
Na quarta-feira (15), o papel chegou a cair até US$ 132,15, antes de fechar a US$ 135,27. A ação já acumula queda de 33% em relação ao recorde de fechamento registrado nos primeiros dias após a estreia na bolsa, em 11 de junho, quando a operação levantou US$ 75 bilhões, valor recorde. Mesmo depois do tombo, a SpaceX segue entre as empresas mais valiosas de Wall Street, com valor de mercado de cerca de US$ 1,8 trilhão. Hoje, a ação era negociada por US$136,47, com alta de 0.89%, às 11h16.
O SPCX34 tem paridade de 1:15 com o papel listado na Nasdaq – ou seja, cada ação da companhia no exterior corresponde a 15 BDRs negociados na B3.
Embora o IPO da SpaceX tenha sido o maior da história dos Estados Unidos, a empresa colocou menos de 5% de suas ações à venda no mercado, o que fez os investidores disputarem um número escasso de papéis e ajudou a companhia a alcançar valor de mercado de US$ 2,1 trilhões após o primeiro dia de negociação na Nasdaq. As restrições de venda impostas a funcionários e sócios, conhecidas como lockup, serão retiradas nos próximos meses, o que pode inundar o mercado com ações adicionais.
"Achamos que, nesse nível, é relativamente seguro ao menos ter alguma posição do ponto de vista de negociação de curto prazo", disse Jay Hatfield, presidente da Infrastructure Capital Advisors, em Nova York. "Não vamos aumentar a exposição além da média porque o fim do lockup está chegando."
Após o sell-off (venda generalizada de ações), o papel da SpaceX é negociado a 49 vezes a receita esperada, uma das relações mais caras de Wall Street por esse critério. Em comparação, a Tesla, outra queridinha dos investidores ligada a Musk, era negociada recentemente a 15 vezes a receita.
Analistas e investidores otimistas afirmam que a SpaceX merece ser negociada a preços bem acima da média por causa do serviço de internet Starlink, que é lucrativo, do negócio de lançamento de foguetes para o governo americano e do histórico de Musk de conquistar a lealdade dos investidores, ainda que a companhia tenha registrado prejuízo líquido de quase US$ 5 bilhões no ano passado.
Dos 32 analistas que acompanham o papel, 27 recomendam compra, apenas um recomenda venda e quatro têm posição neutra, segundo dados da LSEG.
Uma análise da Reuters com 50 IPOs americanos de grande porte desde 2010 mostrou que as empresas cujas ações caíram abaixo do preço da oferta nos dois primeiros meses após a estreia tiveram desempenho pior do que as demais, embora a maioria ainda tenha acumulado ganhos.
Das 50 companhias, 21 caíram abaixo do preço do IPO nos dois primeiros meses; essas ações registram alta mediana de 61% desde a estreia, contra ganho mediano de 112% das outras 29.
Restrições começam a cair
Uma série de restrições à venda de ações por executivos, funcionários e investidores da primeira hora será retirada ao longo dos próximos meses.
Na primeira dessas liberações, funcionários e parte dos investidores iniciais poderão vender 911,5 milhões de ações a partir do segundo pregão após a divulgação do primeiro balanço trimestral da companhia como empresa de capital aberto.
A SpaceX ainda não anunciou a data do balanço, que os analistas esperam para o início de agosto.
As ações que serão liberadas valem hoje cerca de US$ 123 bilhões, mais do que os US$ 86 bilhões em papéis atualmente disponíveis para negociação na Nasdaq.
Outros 455,8 milhões de ações poderão ser vendidos se o papel da SpaceX permanecer acima de US$ 175,50 por pelo menos cinco dos dez pregões consecutivos até a data da divulgação do balanço.
No total, as liberações previstas até 8 de dezembro vão elevar a fatia de ações da SpaceX passível de negociação a 40% da companhia. Os 60% restantes, incluindo a participação de Musk, seguem bloqueados até meados de 2027.