
As 7 Magníficas não estão mais sozinhas! Chegou a hora das FAB10
Em tempos de IPO, analistas estão analisando novo grupo que inclui, agora, SpaceX, OpenAI e Anthropic
As 7 Magníficas dominaram o léxico de Wall Street nos últimos anos, impulsionadas pelo avanço da inteligência artificial e pelo crescimento de seus lucros. Mas o grupo ficou pequeno nos últimos meses. O sucesso da abertura de capital SpaceX e a expectativa em torno da chegada de OpenAI e Anthropic aos pregões ampliou a lista de empresas que, aos olhos do mercado, devem liderar a corrida tecnológica da próxima década.
A hora e a vez das FAB 10 chegou!
A discussão ganhou força após a consultoria Vanda Research propor a criação desse novo grupo, sigla para Frontier AI & Big Tech 10. O grupo reúne as sete empresas das "7 Magníficas" (Apple, Microsoft, Nvidia, Amazon, Alphabet, Meta e Tesla), além de SpaceX, OpenAI e Anthropic.
A tese ganhou força em meio ao enorme interesse pela estreia da SpaceX na Nasdaq, em Nova York. Segundo a Vanda, as compras líquidas das ações da companhia por investidores de varejo somaram US$ 117 milhões no primeiro dia de negociação, o equivalente a 56% de todas as compras realizadas por pessoas físicas no mercado americano naquele pregão.
- Além disso, dados da Reuters mostram que os investidores de varejo ficaram com 20% da oferta de US$ 75 bilhões, uma participação robusta para uma operação desse porte.
Para a Vanda, o mercado começa a olhar além das gigantes tradicionais da tecnologia em busca das empresas que podem liderar a próxima fase da revolução da inteligência artificial.
"Se os últimos anos foram dominados pelas 7 Magníficas, a estreia da SpaceX pode ter sido o sinal mais claro até agora de que os investidores estão começando a olhar para o que chamamos de FAB 10", escreveu a consultoria em relatório.
SpaceX já pode ser comparada às 7 Magníficas?
A ascensão da SpaceX também reabriu uma discussão entre investidores sobre se a empresa de Elon Musk já pode ser colocada no mesmo patamar das maiores companhias de tecnologia do mundo.
Para Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, tudo depende do critério analisado.
"Pela ótica de valor de mercado, sim. Hoje a SpaceX possui uma capitalização próxima à de algumas empresas que fazem parte das 7 Magníficas. Se estivermos olhando apenas para as maiores empresas do mundo, ela já se aproxima desse grupo", afirma.
A comparação ganhou força nesta semana, quando a SpaceX chegou a ultrapassar a Amazon e superou momentaneamente a Microsoft em valor de mercado durante o pregão.
No auge, a companhia alcançou valor de mercado de US$ 2,9 trilhões, figurando entre as empresas mais valiosas dos Estados Unidos.
Mas, segundo Yamashita, há diferenças importantes entre a SpaceX e as gigantes que compõem o grupo das "7 Magníficas".
Enquanto empresas como Microsoft, Nvidia, Apple e Alphabet possuem modelos de negócios consolidados, forte geração de caixa e lucros recorrentes, a SpaceX ainda se encontra em uma etapa diferente de desenvolvimento.
"A SpaceX já tem partes do modelo de negócios comprovadas, principalmente com o Starlink e os serviços de lançamento. Mas ela ainda não gera lucro, pelo contrário, ainda registra prejuízo. Essa é uma diferença importante em relação às 7 Magníficas", diz.
Na avaliação do especialista, a empresa representa uma grande aposta em inovação tecnológica, mas ainda precisa demonstrar que consegue transformar seu potencial de crescimento em rentabilidade, algo que os demais integrantes do grupo já provaram nos últimos anos.
De FANG a 7 Magníficas
Para Yamashita, a criação do “FAB 10” segue uma tradição antiga de Wall Street de agrupar empresas consideradas líderes de cada ciclo tecnológico.
No fim dos anos 1990, as maiores companhias do mundo estavam concentradas em setores tradicionais, como energia e farmacêutico. Anos depois, surgiram as "FANG" (sigla para Facebook, Amazon, Netflix e Google) que acabaram dando lugar ao grupo das "7 Magníficas" com a ascensão da inteligência artificial.
Agora, segundo o especialista, o mercado volta a tentar identificar quais empresas devem liderar a próxima onda de inovação.
"Desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, estamos vendo uma transformação tecnológica que se espalhou por diversos setores, como semicondutores, data centers e infraestrutura digital", afirma.
É nesse contexto que companhias como SpaceX, OpenAI e Anthropic passaram a ganhar espaço nas discussões, apesar de duas delas ainda nem terem chegado à bolsa.
Uma nova bolha da tecnologia?
A euforia em torno das empresas ligadas à inteligência artificial também reacendeu comparações com a bolha da internet no início dos anos 2000.
Para Yamashita, porém, existem diferenças que devem ser levadas em consideração entre os dois momentos.
"O S&P 500 não subiu apenas porque o mercado acredita em inteligência artificial. As empresas também entregaram crescimento de lucro. Hoje as grandes companhias de tecnologia são rentáveis, geram caixa e possuem modelos de negócios comprovados", diz.
Segundo o analista, a capacidade de gerar lucro e fluxo de caixa é justamente o que diferencia o atual ciclo tecnológico do entusiasmo observado durante a era da bolha “pontocom”.
Ainda assim, a possível chegada de novas gigantes privadas à bolsa promete manter o setor de tecnologia no centro das atenções dos investidores nos próximos anos.
OpenAI e Anthropic estão entre as empresas citadas como candidatas a abrir capital, em um movimento que pode ampliar ainda mais o interesse do mercado por inteligência artificial.
Nesse cenário, Wall Street começa a discutir se as 7 Magníficas continuarão sendo a principal referência para os investidores ou se o FAB 10 representa melhor as empresas que devem liderar a próxima onda de inovação tecnológica.