
Canetas emagrecedoras fazem indústria alimentícia adaptar planos para crescer
Mudança de hábitos acelera investimentos, apesar de o impacto ainda ser limitado no país
Por Vitória Nascimento, Valor — São Paulo
Atualizado
A indústria de alimentos começou a substituir sua estratégia de crescimento baseada em volume por produtos de maior valor agregado diante do avanço dos medicamentos para tratar obesidade. Gigantes como JBS, MBRF, Nestlé e Danone passaram a direcionar investimentos para proteínas, fibras e nutrição funcional, apostando na maior demanda por alimentos de alta densidade nutricional entre usuários de GLP-1.
Embora a penetração desses medicamentos ainda seja baixa, os primeiros sinais da mudança já aparecem. Consumidores em tratamento reduziram as compras de bens de consumo massivo, enquanto categorias de maior teor calórico perderam espaço e suplementos ganharam participação.
Os reflexos dos novos hábitos também aparecem nas gôndolas dos supermercados. Levantamento da Scanntech, que monitora mais de 21,7 milhões de pontos de dados no varejo brasileiro, mostra que, desde o último trimestre de 2025, categorias de maior teor calórico registraram retração em volume, como cerveja (-1,03%), petiscos (-0,82%) e chocolates (-0,72%). No mesmo período, suplementos alimentares cresceram 5,53% e a carne bovina in natura avançou 0,43%.