ETF de tecnologia listado na bolsa brasileira subiu 70% no ano. Vale investir?

ETF de tecnologia listado na bolsa brasileira subiu 70% no ano. Vale investir?

ETF de tecnologia listado na bolsa brasileira subiu 70% no ano. Vale investir?

A tese da inteligência artificial é o que vem sustentando a bolsa americana mesmo em meio à guerra no Oriente Médio

Mesmo em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã (que parece longe de acabar), a tese da inteligência artificial continua ajudando a sustentar a alta das bolsas americanas em 2026. Embalados pelo forte avanço das empresas de tecnologia e pelo aumento dos investimentos em infraestrutura para IA, os principais índices de Nova York encerraram o primeiro semestre em alta, renovando recordes históricos. Esse movimento também impulsionou um ETF ligado à cadeia global de semicondutores, que já registra alta de quas 70% só neste ano.

Segundo um levantamento feito pela Quantum, o ETF US Listed Semiconductor (negociado pelo código de CHIP11) avançou 12% em junho e foi o fundo de índice com a maior alta da B3 no mês. O ativo replica uma cesta das 25 maiores empresas globais de semicondutores listadas nos Estados Unidos e acumula valorização de 69,71% no ano até junho, mantendo (de longe!) a liderança entre os ETFs de melhor desempenho da bolsa brasileira em 2026.

- Mas que bicho é esse? Os semicondutores estão no centro da corrida global pela inteligência artificial. Esses componentes são materiais que, dependendo de parâmetros como temperatura, pressão e campos magnéticos, conseguem atuar como condutor (ou seja, permitindo a passagem de uma corrente de energia) ou como isolante (impedindo essa passagem). Um exemplo é o silício, muito usado na indústria eletrônica e de informática. Como as ferramentas de inteligência artificial funcionam por meio de algoritmos complexos e com uma enorme quantidade de dados, elas exigem sistemas de computação mais potentes e os semicondutores são parte das peças que possibilitam esse processamento.

Segundo Alessandra Gontijo, diretora-comercial e sócia da Investo, gestora responsável pelo CHIP11 no Brasil, o ETF se consolidou como uma das principais formas de acessar essa tendência estrutural, que tem cada vez mais espaço para altas.

"O CHIP11 é hoje um dos principais veículos no Brasil para se expor ao ciclo de investimento em inteligência artificial, impulsionado pelos gastos recordes das grandes empresas de tecnologia em computação em nuvem e infraestrutura de processamento de dados, num mercado que o Bank of America projeta ultrapassar US$ 1 trilhão em vendas de semicondutores neste ano.", afirma.

Segundo a executiva, embora existam dúvidas sobre o nível das avaliações das empresas de tecnologia (afinal, há quem questione se as ações não subiram demais contando com avanços que ainda não aconteceram) a tese continua apoiada em fatores estruturais.

Ela explica que os investimentos em inteligência artificial tendem a ser estruturais e a valorização tem se espalhado por toda a cadeia, incluindo desde os fabricantes de chips até empresas de memória e fornecedores de equipamentos.

Nesse sentido, o ETF também pode ser uma escolha inteligente por parte dos investidores, já que ele reduz a concentração em uma única companhia. "A estrutura do ETF reforça esse efeito, por exemplo, ao limitar a Nvidia, principal empresa da carteira, a cerca de 10% do portfólio. Assim, se um fornecedor decepciona, fabricantes de equipamentos, de memória e fundições podem sustentar o desempenho, como se viu no primeiro semestre. A demanda estrutural por computação, puxada por IA e data centers, contribui para manter aquecida a procura por esses componentes num horizonte mais longo", conclui.

Ok, mas então vale a pena investir?

Existem alguns pontos que o investidor deve levar em consideração. Além de observar o forte desempenho recente, o investidor também precisa avaliar aspectos como liquidez, patrimônio e os riscos de um setor que já acumula forte valorização.

Em junho, o CHIP11 reunia cerca de 5,1 mil cotistas e possuía patrimônio líquido de R$ 156,2 milhões. Embora ainda esteja distante dos maiores ETFs da B3 em número de investidores, o fundo vem ganhando escala à medida que cresce o interesse dos brasileiros por investimentos ligados à inteligência artificial.

Olhar o número de investidores de um ETF é importante porque se há muitos cotistas aplicando em um determinado produto, significa que também existem muitas pessoas comprando e vendendo as cotas, o que pode facilitar a vida de quem investiu e depois quer vender. O contrário também é verdadeiro: se há poucos cotistas, pode ser difícil se desfazer daquele investimento, por falta de quem queira comprar.

Outro ponto importante é avaliar se o ciclo de valorização pode continuar. Apesar das preocupações com os preços elevados das ações das empresas de tecnologia, o mercado ainda enxerga espaço para expansão da demanda por semicondutores, impulsionada pelos investimentos bilionários de grandes empresas de tecnologia em inteligência artificial, computação em nuvem e infraestrutura de data centers.

Por fim, é preciso avaliar se aquele ETF faz sentido para o perfil do investidor e para a composição da sua carteia, porque trata-se de um produto de renda variável e inserido em um mercado que costuma ser mais volátil.

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