
Ouro fica abaixo de US$ 4 mil pela primeira vez no ano; entenda
Commodity metálica perdeu a atratividade para os títulos americanos e para o próprio dólar no mercado internacional
Por Artur Scaff, Valor — São Paulo
Atualizado
O preço do ouro recuou nesta quinta-feira (16) e ficou abaixo da marca de US$ 4 mil por onça-troy pela primeira vez no ano.
A alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (os Treasuries) e do dólar no exterior pressionaram o ativo, que foi incapaz de capitalizar em cima das leituras mais fracas de inflação dos últimos dois dias e da dissolução das apostas de um avanço dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) no curto prazo.
Na Comex, a divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos futuros de ouro com entrega para agosto encerraram em queda de 1,5%, a US$ 3.992,10 por onça-troy.
As leituras abaixo do esperado para inflação no mês de junho nos Estados Unidos afastaram as apostas de uma alta nos juros pelo Fed neste mês e deixou em aberto a decisão de setembro, levando a uma queda nos rendimentos dos Treasuries e do dólar no exterior.
O ouro, porém, não foi capaz de capitalizar nesse movimento e, para o analista de mercado do Forex.com, Fawad Razaqzada, uma das razões para isso é o fato de que a leitura de apenas um mês não irá alterar o cenário de longo prazo para o banco central americano, um ponto que foi salientado pelo diretor do Fed Christopher Waller nos últimos dias.
Outro ponto destacado pelo analista é a recuperação dos preços do petróleo. “Mesmo que alguns dados econômicos de curto prazo indiquem um arrefecimento, a persistência de preços elevados da energia dificultaria a adoção de uma postura mais flexível”, disse. O Brent ronda o patamar de US$ 85 por barril, longe das máximas do período da guerra, mas muito acima do nível visto antes do conflito.
Conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico.