Bitcoin devolve ganhos da semana, mas mostra resiliência em relação às bolsas

Bitcoin devolve ganhos da semana, mas mostra resiliência em relação às bolsas

Bitcoin devolve ganhos da semana, mas mostra resiliência em relação às bolsas

Principal representante do segmento cripto voltou à casa dos US$ 64 mil nesta sexta-feira, após superar os US$ 65 mil com alívio na inflação dos EUA; desempenho mensal ainda supera o do S&P 500

O Bitcoin (BTC) encerra a semana praticamente no zero a zero, mas deixando sinais de que continua relativamente resiliente diante do cenário macroeconômico global. Depois de superar a marca dos US$ 65 mil nos últimos dias, impulsionado por um dado de inflação mais fraco nos Estados Unidos, a principal representante do mercado de criptoativos do mundo devolveu parte dos ganhos nesta sexta-feira e voltou a ser negociada na faixa dos US$ 64 mil, alinhando ao movimento geral de aversão a risco.

Apesar da acomodação, o saldo de julho ainda é positivo. A criptomoeda acumula valorização próxima de 3% no mês, enquanto o S&P 500, índice da bolsa de Nova York ao qual o Bitcoin apresenta correlação significativa, registra queda de cerca de 0,4% no mesmo período.

A divulgação da deflação nos Estados Unidos alimentou as apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) poderá evitar altas mais intensas nos juros, favorecendo ativos considerados mais arriscados, como ações e criptomoedas.

Segundo Gabriela Medina, consultora da DeFi Technologies no Brasil, a reação do Bitcoin reforça como o ativo continua sensível às expectativas em torno da política monetária americana.

"A valorização do bitcoin para perto dos US$ 65 mil reflete uma mudança importante no humor do mercado após a divulgação de um dado de inflação nos Estados Unidos mais benigno. Com a redução das apostas em uma alta de juros no curto prazo, investidores voltaram a buscar ativos com maior potencial de retorno, impulsionando a cotação da criptomoeda", afirma.

Para ela, os próximos indicadores econômicos dos EUA continuarão sendo o principal direcionador dos preços no curto prazo.

Já Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da Bitget Latam, destaca que a realização de lucros desta sexta-feira também reflete o aumento da aversão ao risco diante das tensões geopolíticas e da expectativa pela votação da Clarity Act no Senado americano.

O Clarity Act é um projeto de lei dos Estados Unidos que busca definir regras claras para o mercado de criptoativos. A proposta estabelece quando um ativo digital deve ser fiscalizado pela SEC (mercado de capitais) ou pela CFTC (mercado de commodities), reduzindo a insegurança jurídica para empresas e investidores.

Na avaliação do executivo, para que uma recuperação mais consistente se confirme, o Bitcoin precisaria se manter acima dos US$ 65 mil e romper a região dos US$ 69 mil, faixa que corresponde ao preço médio de compra dos investidores de curto prazo.

Herrera também chama atenção para um dado que contraria a percepção de que as criptomoedas seriam hoje os ativos mais sensíveis ao aumento da incerteza global. Enquanto a volatilidade implícita de 30 dias do índice sul-coreano Kospi disparou para cerca de 81% durante a recente correção das ações ligadas à inteligência artificial, a do Bitcoin permanece próxima de 38%. Ainda assim, ele observa que a cripto segue negociada abaixo da média móvel de 50 dias, sinalizando que a tendência de curto prazo continua enfraquecida.

← Finance & Crypto