Bolsa esbarra em muro de incertezas e interrompe três semanas de alta

Bolsa esbarra em muro de incertezas e interrompe três semanas de alta

Bolsa esbarra em muro de incertezas e interrompe três semanas de alta

Saldo do Dia: Sob o peso do risco geopolítico e dos juros, o Ibovespa encerrou os últimos cinco pregões com uma queda de 2,5%, interrompendo um ciclo de recuperação após oito semanas seguidas de baixa

Uma semana de forte volatilidade nos mercados termina deixando um rastro de cautela e uma certeza: o fôlego que a bolsa brasileira vinha ensaiando simplesmente esbarrou em um muro de incertezas. No balanço dos últimos cinco pregões, o Ibovespa acumulou uma queda de 2,5%, um resultado que interrompe uma sequência de três semanas consecutivas no campo positivo.

A perda de ritmo traz de volta o sinal de alerta, justamente quando o índice ensaiava se recuperar do tombo histórico de oito semanas seguidas de baixa vivido entre abril e o início de junho.

Descolado do mau humor que atropelou os índices em Nova York e na Ásia, o Ibovespa fechou a sexta-feira (17) praticamente estável.

A continuidade da troca de ataques entre os Estados Unidos e o Irã reduziu o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, reacendendo o fantasma de um choque de oferta de petróleo.

Pegando carona no rali do barril lá fora, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) avançaram 2,6%, enquanto as preferenciais (PETR4) subiram 2,5%, posicionando a estatal em terceiro e quarto lugar entre os melhores desempenhos do dia.

Foi justamente esse apoio da estatal, somado ao fôlego do setor bancário, que funcionou como um amortecedor para o Ibovespa.

No fim da sessão, o desempenho em especial da Petrobras permitiu que o índice ficasse perto da estabilidade, destoando completamente do mau humor que penalizou os mercados lá fora.

- Com uma queda acumulada de 2,3% na semana, o Ibovespa andou de lado nesta sexta-feira, nos 173.714 pontos. No mês, o ganho acumulado está em 1%, enquanto a alta no ano se sustenta em 7,8%.

Se por um lado o rali das commodities serviu de proteção para impedir uma queda maior do Ibovespa por meio da Petrobras, por outro, a escalada da guerra no Oriente Médio cobrou um preço alto do restante do mercado.

Isso porque o petróleo disparando atua como um forte vetor inflacionário global e, por aqui, o reflexo veio na forma de uma pressão imediata sobre a curva de juros futuros.

Sob a percepção de que a inflação pode acelerar e pressionar o Banco Central, as taxas dispararam, o que acabou asfixiando os papéis de empresas mais sensíveis à economia local na bolsa.

As ações ligados ao consumo, crédito e construção civil sentiram o baque direto desse estresse na curva de juros. Yduqs (YDUQ3) recuou 2,6%, enquanto no setor de varejo e vestuário C&A (CEAB3) caiu 2,3%.

O setor imobiliário foi ainda mais penalizado: MRV (MRVE3) desabou 3,3%, figurando a segunda maior baixa do índice ao lado da Direcional (DIRR3), em terceiro, que cedeu 2,7%.

"Com os dados econômicos indicando uma dificuldade maior para a política monetária nos próximos meses, as empresas mais sensíveis aos juros não tiveram um bom desempenho. Isso mostra que o varejo brasileiro ainda deve sofrer com os juros altos", explica Josias Bento, sócio-fundador da GT Capital.

- Das 78 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa, a maioria operou no vermelho: foram 51 papéis em queda nesta sexta e 59 amargando perdas nos últimos cinco dias.

Os juros futuros, que já operavam em alta acompanhando o petróleo, aceleraram no fim da tarde, sobretudo nos vencimentos intermediários.

O estopim para a corrida generalizada por proteção foi a notícia veiculada pelo site Axios de que o governo americano está enviando dezenas de aeronaves de reabastecimento para Israel.

O relato trouxe o temor imediato de novos ataques e, consequentemente, de uma nova escalada no confronto entre EUA e Irã no fim de semana.

Diante da iminência de um agravamento do conflito, os operadores correram para zerar posições em contratos prefixados, empurrando as taxas para cima.

No cenário interno, dados do IBC-Br, considerado a prévia o PIB, adicionaram uma complexidade a mais ao tabuleiro do Banco Central.

"O resultado do indicador mostrou uma economia ainda aquecida, fator que diminui as chances de um novo corte de juros por aqui", avalia Bento.

- A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 avançou de 13,87% no ajuste anterior para 13,960% no fim da sessão. Os prêmios nos contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas para a taxa Selic;

- No miolo da curva, o DI para janeiro de 2029 subiu de 14,105% para 14,335% no encerramento dos negócios;

- Já o contrato de DI para janeiro de 2031 disparou de 14,325% para 14,525%. Vencimentos mais longos refletem uma maior preocupação com as incertezas fiscais e com o ambiente macro externo.

No rastro do risco geopolítico, os preços do petróleo aceleraram até atingir as máximas intradiárias.

O barril do Brent para setembro fechou com alta expressiva de 4,6%, cotado a US$ 88,10, enquanto o WTI para agosto avançou 4,5%, a US$ 82,49.

No mercado de câmbio, o dólar comercial acompanhou a busca global por portos seguros, fechando em alta frente ao real, embora no saldo acumulado da semana tenha encerrado praticamente estável.

- A moeda americana subiu 0,2% nesta sexta, cotada a R$ 5,1112, e encerrou a semana com uma variação quase imperceptível de 0,05%. No mês, o dólar ainda cai 1% e, no ano, cede 6,7%.

Enquanto o Brasil lidava com o impacto inflacionário do petróleo e o estresse na curva de juros, os mercados na Ásia e em Nova York enfrentavam sua própria tempestade no setor de tecnologia.

O movimento de realização de lucros em ações de semicondutores e empresas ligadas à inteligência artificial contaminou as mesas de operação dos principais mercados globais.

Os investidores estão ficando mais exigentes quanto à necessidade de retorno dessas companhias para justificar os preços atuais e passaram a questionar os elevados gastos com investimentos.

O gatilho para a liquidação foi o recuo das ações da gigante Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC), que aumentou suas estimativas de investimentos futuros, assustando o mercado.

Embora bancos como o Bank of America tentem amenizar a urgência, classificando o estresse como um "reajuste de verão" e não como uma reversão estrutural do ciclo de IA, o forte recuo de índices como o Nasdaq e o S&P 500 adicionou mais uma camada de aversão ao risco.

Ações negociadas em 17/07/2026

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