
Governo evita falar em retaliação aos EUA e reforça estudo de reciprocidade
Ministro da Fazenda, Dario Durigan diz que medidas serão avaliadas setor a setor e afirma que eventual resposta não comprometerá a trajetória fiscal
A ameaça de uma resposta do Brasil às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos continua em estudo, mas o governo evita classificar a medida como uma retaliação. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o foco está na aplicação dos instrumentos previstos pela Lei de Reciprocidade Econômica, e não em uma resposta direta às sobretaxas anunciadas por Washington, de acordo com a agência Reuters.
Em entrevista a jornalistas nesta sexta-feira, Durigan afirmou que o governo ainda avalia quais setores poderão precisar de apoio antes de definir qualquer medida. Ele também procurou afastar preocupações de que eventuais ações possam comprometer o equilíbrio das contas públicas, ressaltando que a equipe econômica pretende preservar a trajetória fiscal e cumprir as metas estabelecidas.
As declarações ocorrem após os Estados Unidos anunciarem, na quarta-feira, uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, embora tenham mantido uma lista de exceções mais ampla do que o mercado esperava.
Na véspera, o vice-presidente Geraldo Alckmin já havia afirmado que o governo pretende usar a Lei de Reciprocidade no momento considerado adequado e estuda um programa de apoio aos setores mais afetados pelas tarifas americanas.
De acordo com a Reuters, entre as alternativas em discussão pelo governo brasileiro estariam medidas envolvendo o setor audiovisual e patentes farmacêuticas, embora nenhuma decisão tenha sido oficializada.