
Ouro retoma patamar dos US$ 4 mil, mas recua mais de 2% na semana
Negócios no período foram marcados pelas apostas de alta nos juros americanos e acirramento da tensão entre Estados Unidos e Irã
Por Artur Scaff, Valor — São Paulo
Atualizado
Apesar de o mercado ter dissolvido parte das apostas de alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) nesta semana, os contratos futuros de ouro encerraram o período no negativo, ao passo em que o recrudescimento da tensão entre os Estados Unidos e o Irã reviveu os temores inflacionários entre os investidores.
O ativo subiu nesta sexta-feira e chegou a recuperar a faixa de US$ 4 mil por onça-troy, perdida pela primeira vez desde novembro do ano passado.
Na Comex, a divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos futuros de ouro com entrega para agosto encerraram em alta de 0,67%, cotado a US$ 4.018,8 por onça-troy. Na semana, o recuo foi de 2,32%.
Dados de inflação abaixo do esperado divulgados nesta semana levaram o mercado a retirar parte das apostas de uma alta pelo Fed no curtíssimo prazo, embora a avaliação dos investidores seja de que essa rodada de indicadores não mudará a avaliação do banco central americano sobre o cenário macroeconômico.
Membros da autoridade monetária vieram a público nos últimos dias para reiterar que a inflação segue em patamares elevados e que os dados de um mês - no caso, junho - não constituem uma tendência de normalização dos preços a longo prazo.
Apesar do cenário macroeconômico desfavorável para o ouro neste momento, o Goldman Sachs reiterou a projeção de US$ 4,9 mil por onça-troy para o ativo no fim deste ano, suportado, sobretudo, pela demanda de bancos centrais. “Esperamos que os ventos contrários relacionados ao Fed se invertam ao longo do tempo, uma vez que os nossos economistas não esperam aumentos das taxas.”
O banco também afirma que, no médio prazo, os riscos para a projeção permanecem inclinados para cima. “A participação do ouro nas carteiras privadas continua baixa, e os desdobramentos geopolíticos recentes — incluindo a situação do Irã e tensões mais amplas — podem acelerar a diversificação para além dos bancos centrais”, disse a equipe de pesquisa de commodities do Goldman.
Conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico.