
Preço do petróleo dispara 15% na semana com retomada de hostilidades entre EUA e Irã
Estreito de Ormuz foi novamente fechado, comprometendo a retomada do transporte da commodity na região, responsável por 20% da produção mundial
Por Luana Reis, Valor — São Paulo
Atualizado
Os contratos do petróleo tiveram forte alta nesta sexta-feira (17) e no acumulado da semana, em meio ao temor dos investidores de que as hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã continuem escalando. O cessar-fogo firmado no mês passado acabou e ambos os lados voltaram a trocar ataques nos últimos dias, sem perspectiva de novas negociações de paz. O Estreito de Ormuz novamente foi fechado, comprometendo a retomada do transporte de petróleo na região.
Nesse contexto, o petróleo tipo Brent, a referência global e brasileira de preço, com vencimento em setembro teve alta de 4,6%, cotado a US$ 88,10 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI, a referência americana, com entrega prevista para agosto avançou 4,5%, a US$ 82,49 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). No acumulado dos últimos cinco dias, ambos subiram 15%, marcando a maior variação semanal desde abril.
Os preços do petróleo ampliaram a valorização vista mais cedo e foram para as máximas do dia pouco após a notícia de que os Estados Unidos estariam enviando dezenas de aviões-tanque de reabastecimento para Israel, aumentando o temor dos investidores de que o conflito siga escalando. Na última rodada de ataques, o Irã atingiu usinas de energia no Kuwait e outros países vizinhos no Golfo Pérsico.
Na tarde desta sexta-feira, a agência de notícias iraniana Tasnim informou que uma embarcação de bandeira tailandesa foi alvo de um ataque no Estreito de Ormuz, depois de supostamente ignorar advertências e tentar atravessar a passagem sem autorização da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica.
O aumento das tensões nos últimos dias tornou as empresas de transporte marítimo mais cautelosas, e o tráfego por Ormuz caiu na última semana, de acordo com as agências de notícias internacionais, comprometendo a retomada das exportações de petróleo na região.
Em nota, a Yardeni Research classifica a retomada de hostilidades no Oriente Médio como perigosa, na medida em que os conflitos no Irã e na Ucrânia reduziram os estoques de petróleo a níveis historicamente baixos. "No segundo trimestre de 2026, a produção mundial caiu para 95,3 milhões de barris por dia, abaixo do consumo de 100,4 milhões, principalmente devido à redução da oferta dos países da Opep", cita a equipe da casa em relatório.
Conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico.