Super El Niño eleva risco de perdas para ações do setor elétrico, aponta Inter

Super El Niño eleva risco de perdas para ações do setor elétrico, aponta Inter

Super El Niño eleva risco de perdas para ações do setor elétrico, aponta Inter

Relatório lembra que episódios intensos do fenômeno levaram a quedas mensais acentuadas de empresas com maior dependência na geração hídrica

A probabilidade de um novo El Niño está próxima de 100%, segundo alerta recente da NOAA, agência climática dos Estados Unidos, e o fenômeno pode voltar a pressionar o setor elétrico brasileiro, apontou relatório do Inter divulgado nesta semana. Estudos citados pelo banco indicam ainda a possibilidade de um "Super El Niño", de intensidade excepcional, que afetaria diretamente ações de empresas do setor elétrico.

A previsão de secas prolongadas em algumas regiões deve diminuir reservatórios e encarecer o preço de curto prazo da energia, o PLD, referência do mercado à vista. O relatório lembrou que, nos episódios mais intensos das últimas décadas, como o de 2015 e 2016, esse preço chegou perto do teto regulatório.

O banco analisou uma cesta de oito empresas ligadas à geração hídrica (Alupar, Auren, Axia, Cemig, Copel, CPFL, Engie e Neoenergia) e observou que, nos meses de El Niño forte e muito forte, os retornos foram dispersos e as perdas mensais chegaram a superar 40% nos piores casos, contra uma distribuição bem mais concentrada em meses neutros ou de La Niña.

Dependência hídrica e geração térmica cara

O sistema elétrico nacional tem uma dependência hídrica. Mesmo com o avanço das fontes eólica e solar a partir da década de 2010, as hidrelétricas seguem respondendo pela maior fatia da geração, sustentadas pela malha de rios e reservatórios concentrada nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul.

Ao alterar a circulação atmosférica global, o El Niño reduz as chuvas nas principais bacias hidrográficas do país, com secas prolongadas no Norte e no Nordeste, enquanto o Sul enfrenta chuvas intensas e risco de enchentes. Com menos água chegando aos reservatórios, o operador do sistema passa a poupar a reserva armazenada e aciona usinas térmicas, movidas a gás, óleo ou carvão, que são mais caras de operar.

Na prática, escreveu o analista Rafael Winalda, o El Niño não é apenas um risco operacional para o setor elétrico: ele também aparece refletido no mercado de ações, com mais volatilidade e retornos mais negativos nas empresas mais expostas à geração hídrica. Geradoras que vendem contratos com base na produção esperada precisam comprar a diferença no mercado à vista quando a geração hidráulica decepciona, justamente quando a energia está mais cara, o que pressiona as margens e tende a aparecer nos resultados trimestrais.

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