
Tesouro Direto: taxas fecham semana em alta e alívio do IPCA de junho fica para trás
Escalada do preço do petróleo volta a elevar expectativa de inflação e apaga as quedas que as taxas observaram quando o IPCA de junho mostrou desaceleração
Os juros pagos pelos títulos do Tesouro Direto sobem firme nesta sexta-feira (17), e apagam as perdas observadas no final da semana passada. O IPCA de junho, bem abaixo do esperado pelo mercado, tinha dado alívio às taxas exigidas por investidores para financiar a dívida pública. Até que a nova interrupção do fluxo de navios no Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa 20% da produção mundial de barris, voltou a assombrar as expectativas de inflação.
Ontem, o Tesouro Nacional realizou um forte leilão de prefixados, o que não era visto há algumas semanas. Desde que as taxas dispararam, o governo buscou diminuir os leilões de Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ para evitar altas ainda maiores. Quanto maior é o leilão, maior é a oferta, e, se não houver compradores o suficiente, as taxas tendem a subir. Com IPCA+ pagando acima de 8% de juros reais e o prefixado chegando a pagar 14,5% em momentos de junho, foi necessário intervir e reduzir os lotes.
O alívio observado nos últimos dias nas taxas dos títulos públicos perdeu força principalmente nos vencimentos intermediários e longos, nota Marcelo Fonseca, economista-chefe do Grupo CVPAR. "A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e a alta do petróleo voltaram a elevar os riscos inflacionários, revertendo parte do otimismo gerado pelos dados recentes de inflação no Brasil e nos Estados Unidos", diz.
No curto prazo, o economista avalia que os títulos devem continuar sujeitos a bastante volatilidade. "Ainda consideramos provável mais um corte da Selic, mas será difícil ao Banco Central prolongar o ciclo caso a inflação volte a mostrar resistência", diz. Nos títulos prefixados e atrelados ao IPCA de prazos mais longos, os riscos externos e a deterioração das perspectivas fiscais devem manter os prêmios elevados.
- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2032 paga, hoje, IPCA + 8,09% ante IPCA+8,11% na última sessão.
- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2040 retorna IPCA + 7,53%, ante IPCA + 7,55% na última sessão
- A aplicação no Tesouro Prefixado 2029 paga 14,28%, ante 14,10% na última sessão.
- A aplicação no Tesouro Prefixado 2032 remunera 14,57%, ante 14,43% na última sessão.