Ex-presidente do BNDES defende fim dos títulos incentivados: 'já cumpriram seu papel'

Ex-presidente do BNDES defende fim dos títulos incentivados: 'já cumpriram seu papel'

Ex-presidente do BNDES defende fim dos títulos incentivados: 'já cumpriram seu papel'

'Sou a favor de pagar menos impostos, sempre. Mas olha o tamanho da distorção que criamos. Já cumpriu seu papel', disse, referindo-se ao crescimento acelerado do crédito isento

Gustavo Montezano, atual diretor-executivo da YvY Capital, afirmou que títulos com isenção de imposto de renda criam mais distorções do que benefícios e tornam alocação de capital menos eficiente.

Os títulos de crédito privado incentivados, como debêntures de infraestrutura, CRIs e CRAs, já cumpriram o seu papel de estimular o mercado de capitais e tornar as empresas menos dependentes das linhas subsidiadas de financiamento. Agora, a isenção cria mais problemas do que soluções, e distorce a alocação de capital, tanto micro quanto no macroeconomicamente, afirma Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES entre 2019 e 2023 e diretor-executivo da YvY Capital, gestora especializada no setor de infraestrutura.

"Sou a favor de pagar menos impostos, sempre. Mas olha o tamanho da distorção que criamos. Já cumpriu seu papel", disse, referindo-se ao crescimento acelerado do crédito isento, que superou o volume de alocação do mercado local em participações ("equity"). A fala ocorreu na Expert XP, evento que reuniu alguns dos principais nomes do mercado financeiro em São Paulo nesta semana.

No âmbito micro, ele citou um caso recente de um financiamento de um porto no Sul do Brasil, pela YvY Capital, onde o empreendimento tem dois ativos com CNJPs diferentes e, por detalhes operacionais, um tem acesso a crédito isento e outro não. "Isso torna a alocação menos eficiente", disse.

Ele espera que, superado o momento de juros reais muito elevados, essa distorção possa ser corrigida. O executivo afirmou que os juros estão acima dos níveis das últimas duas grandes crises no Brasil, em 2008-2009 e 2015-2016. Por isso, o momento ofusca as oportunidades geracionais presentes no setor de infraestrutura, na sua leitura.

Apesar disso, setor segue uma trajetória de amadurecimento iniciado no governo Temer, com descentralização de atores e aprimoramento operacional. Ainda há falta de operadores capazes de disputar o grande volume de investimentos previstos.

"O momento é desafiador, mas quem sobreviver vai entrar num ciclo longo de redução de juros reais e, com o chassi que temos hoje, vamos ter uma escalada de alocação doméstica e internacional em infraestrutura", diz.

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