Fundos de papel indexados ao CDI estão imbatíveis, diz gestor de FIIs

Fundos de papel indexados ao CDI estão imbatíveis, diz gestor de FIIs

Fundos de papel indexados ao CDI estão imbatíveis, diz gestor de FIIs

Com o CDI em dois dígitos, os fundos imobiliários que seguem o indicador entregaram o maior retorno com a menor oscilação, e pressionaram os fundos de tijolo, mas gestores defendem horizonte de longo prazo

Com o CDI na casa dos 14% ao ano, ficou "quase impossível" para os fundos imobiliários superar o desempenho dos fundos de recebíveis atrelados ao próprio CDI, afirmou Alessandro Vedrossi, sócio-diretor de ativos reais da Valora Investimentos. Enquanto o juro seguir nesse patamar, disse, esses fundos de papel são "imbatíveis".

O que mais chamou sua atenção é o que classificou como um contrassenso: os fundos indexados ao CDI vêm entregando, ao mesmo tempo, o maior retorno e a menor oscilação de preço. "Mais retorno deveria vir com mais volatilidade, e é o contrário", observou. Na sequência viriam os fundos de recebíveis atrelados à inflação, com retorno menor e oscilação maior, mas ainda assim, em sua leitura, à frente da média dos fundos de tijolo.

Vedrossi lembrou que o próprio CDI frustrou as apostas de queda. A expectativa de recuo já em 2024 não se concretizou, e o ano fechou com o indexador em 12%, movimento que ele atribuiu ao afrouxamento da política fiscal. Em 2025, o CDI encerrou em 15%. O IFIX teve um bom ano em 2025, ponderou, mas o juro elevado é ruim para a indústria como um todo. "O CDI alto desse jeito exige que o investidor tenha posição aí", afirmou.

Tijolo sob pressão

Nesse ambiente, os fundos de tijolo (aqueles que investem diretamente em imóveis físicos) ficam "extremamente afetados", avaliou Rodrigo Abbud, sócio e CEO da Pátria Real Estate Brasil, do Pátria Investimentos.

Ele explicou que o forte desempenho de 2025 partiu de uma base muito baixa deixada por 2024, ano que castigou o setor. Investidores se anteciparam para corrigir a distorção, e 2026 voltou a ceder. Montar uma carteira de fundos de tijolo, nesse quadro, ficou difícil e volátil. "A cota acorda com a notícia de que fechou o Estreito de Ormuz, o petróleo sobe e ela vem para baixo", exemplificou. A forma de se proteger, disse, tem sido ganhar escala: quanto maior o fundo, mais estável o preço da cota e o rendimento diante de resgates.

O contraponto do longo prazo

Para Pedro Carraz, sócio e gestor de fundos imobiliários da XP Asset Management, a maior oscilação do tijolo é natural, e o investidor incomodado com ela "comprou errado". Ele defendeu o FII como um veículo isento e eficiente para investir no mercado imobiliário: com R$ 100, o investidor se torna sócio de dezenas de shoppings, num ativo de longo prazo.

Carraz comparou o comportamento das cotas ao de um imóvel físico. Quem compra um shopping não acompanha a cotação diária, disse. Na pandemia, os FIIs perderam valor rapidamente, mas os prédios e galpões não. "Comprar ativo de qualidade é sempre uma boa resposta", afirmou, ao descrever o imóvel como um investimento defensivo, que protege contra a inflação e valoriza no longo prazo. Uma alta ou queda de 5% na cota, na sua visão, não deveria ser problema. "Temos que olhar para os próximos dez anos", concluiu.

A dificuldade de originar em IPCA

Questionado sobre a escolha entre CDI e inflação, Vedrossi reconheceu que o juro alto cria um ambiente hostil ao crédito e pressiona empresas e projetos. Um de seus maiores fundos, indexado ao CDI, historicamente entregou CDI + 3%; há cerca de dois anos ele reduziu a meta para CDI + 2%, ao se tornar mais avesso a risco. O alerta é que não está fácil originar crédito em CDI para o ciclo inteiro de um projeto, ainda que o prazo de um ano seja mais tranquilo.

Nas operações atreladas à inflação, disse ter dificuldade ainda maior de originação. No ano passado, montou cerca de R$ 1,5 bilhão em operações, de 80% a 90% em CDI. "Todo mundo quer IPCA + 9%, e eu não consigo fazer IPCA + 12%", afirmou. A marcação a mercado de seu fundo estaria em IPCA + 11%, um patamar de retorno que, segundo ele, não consegue originar mantendo a qualidade de crédito da carteira. Os yields na marcação a mercado dos papéis de inflação, resumiu, estão muito altos.

Onde estão as oportunidades

O contraponto ao macro desafiador, para Abbud, está no micro, que tem se mostrado favorável. As lajes corporativas ainda não vão bem, com recuperação lenta e vacância alta, mas as cotas descontadas abrem espaço para ganho de capital. A logística é uma boa aposta de curto prazo; os escritórios, uma aposta para o futuro. Carraz reforçou que o salto de ganho real em galpões logísticos tem sido expressivo, movimento que se estende também às lajes.

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