Para Valora, chacoalhões no crédito privado não terminaram, mas não é para se preocupar

Para Valora, chacoalhões no crédito privado não terminaram, mas não é para se preocupar

Para Valora, chacoalhões no crédito privado não terminaram, mas não é para se preocupar

Contudo, no ambiente atual, gestor está mais cauteloso com os papéis de setores como varejo e saúde, de companhias mais dependentes da economia local e mais suscetíveis aos juros altos

Após o crédito privado trazer sustos para os brasileiros no primeiro semestre, os chacoalhões não acabaram e nunca vão terminar, alertou Daniel Pegorini, CEO da Valora, em entrevista para o Valor Investe durante o evento Expert XP, realizado em São Paulo nesta sexta-feira (24). Na análise dele, os brasileiros não deveriam estar muito preocupados com os fundos de crédito eventualmente rendendo abaixo do CDI ou dando perdas.

"Em vez de ter 10% de juro acima da inflação, os investidores vão ter 9,5%", afirmou. "Não estamos preocupados com risco sistêmico. Eventos de crédito com companhias acontecerão com os juros tão altos por mais tempo, mas não vai acontecer uma onda de quebradeiras", disse.

Contudo, no ambiente atual, Pegorini está mais cauteloso com os papéis de setores como varejo e saúde, de companhias mais dependentes da economia local e mais suscetíveis aos juros altos. Além disso, está diversificando mais o portfólio dos fundos. Em cenários de menor risco, as carteiras costumam investir em 80 empresas diferentes, mas atualmente elas estão com cerca de 150 nomes. O gestor ainda diminui o prazo de vencimento dos títulos, para o risco ser menor.

Em março e abril, boa parte dos fundos de crédito, os de debêntures incentivadas principalmente, remuneraram abaixo do CDI, o indicador de referência para os investimentos em geral que anda colado na Selic.

O aumento das taxas dos títulos que compõem esses fundos — em razão do aumento da percepção de risco após pedidos de recuperações extrajudiciais de empresas, atrasos na divulgação de resultados e efeitos da guerra no Oriente Médio nos juros — fez o preço das cotas caírem e deu início a uma onda de resgates.

O aumento das taxas dos títulos foi gerado por eventos de crédito em companhias conhecidas, como Raízen, Pão de Açúcar, Braskem e Ambipar, além da Aegea. Depois que a percepção de risco caiu, as taxas voltaram a recuar e as cotas dos fundos voltaram a render mais que o CDI.

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