
Petróleo recua no dia com sinal de diálogo entre EUA e Irã, mas sobe quase 10% na semana
Iniciativa do Paquistão, com apoio da China, de tentar reabrir negociações entre Washington e Teerã aliviou parte do prêmio de risco no Oriente Médio
Apesar do recuo nesta sexta-feira (24), o petróleo fechou a semana com forte valorização. Com a escalada do conflito no Oriente Médio nos últimos dias, o contrato do Brent acumulou alta de quase 10% na semana, a US$ 96,78, enquanto o WTI saltou cerca de 8%, a US$ 89,31.
No fechamento de hoje, porém, o contrato do Brent para setembro recuou 3,9%, a US$ 96,78 o barril, enquanto o WTI para o mesmo mês caiu 3,1%, cotado a US$ 89,31 o barril.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a iniciativa paquistanesa busca reabrir o diálogo entre Washington e Teerã, enquanto Pequim pressiona por uma redução das tensões na região.
"Os chineses estão insatisfeitos porque os ataques do Irã a outros países do Golfo e o fechamento do Estreito de Ormuz estão prejudicando seus interesses", afirmou um integrante do governo do Paquistão à agência.
A perspectiva de uma retomada das negociações aliviou parte do prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo nos últimos dias, diante da possibilidade de uma redução das tensões no Oriente Médio.
Na quinta-feira, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou ter realizado a 13ª noite consecutiva de bombardeios contra alvos militares iranianos, incluindo centros de comando, depósitos de drones e instalações de vigilância costeira.
Segundo os militares americanos, os ataques buscam reduzir as ameaças à navegação comercial no Estreito de Ormuz.
Também na quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que avalia lançar um "ataque massivo" contra o Irã, caso os confrontos continuem se intensificando.
Enquanto isso, a Guarda Revolucionária iraniana informou ter atacado instalações militares americanas em uma base na Jordânia.
Para Daniela Hathorn, analista sênior da Capital.com, o conflito continua sustentando um elevado prêmio de risco sobre o petróleo.
Segundo ela, os ataques a embarcações comerciais no Mar Vermelho e as ameaças ao tráfego no Estreito de Ormuz mantêm as preocupações com a oferta global de petróleo e podem continuar pressionando os preços da energia e a inflação nos próximos meses.