
Sparta tem preocupações com fundos de crédito privado
Ainda não dá para saber se os fundos de crédito privado vão chacoalhar mais nos próximos meses, na análise de gestor
Ainda não dá para saber se os fundos de crédito privado vão chacoalhar mais nos próximos meses, com os juros altos aumentando o risco de inadimplência das companhias, afirmou Ulisses Nehmi, CEO da Sparta, em entrevista para o Valor Investe durante o evento Expert XP, realizado em São Paulo nesta sexta-feira (24). Contudo, ele tem algumas preocupações sobre esses produtos.
Na análise de Nehmi, o movimento de perdas nos fundos foi controlado e não aconteceu uma grande mudança no fluxo dos cotistas, nem de entrada, nem de saída, tampouco uma mudança importante nos juros dos papéis, que estão muito comprimidas atualmente.
Contudo, o gestor acha que os brasileiros estão exageradamente investidos em crédito privado com a taxa de juros alta, o que é um motivo de preocupação para ele. Se a Selic, a taxa referência para os juros da economia, cair mais, o risco de crédito das companhias cairá, mas a demanda por esses investimentos recuará também. Então, acredita que os juros dos papéis de crédito privado tendem a saltar com a menor demanda, causando perdas para os portfólios dos fundos que compraram já os títulos.
O gestor se preocupa também que os retornos dos fundos não estão altos o bastante para os brasileiros toparem volatilidade alta nas cotas neste momento. Ele teme que, se as oscilações continuarem, os brasileiros podem resgatar mais dinheiro desses fundos.
Contudo, Nehmi não enxerga novas Raízens, ou seja, novos casos de companhias conhecidas por serem sólidas assustando os investidores dos papéis. O gestor está cauteloso com a escolha dos papéis, mas não teme uma quebradeira grande das empresas. "Pode ter evento de crédito, mas isso já está no preço dos títulos".
Em março e abril, boa parte dos fundos de crédito, os de debêntures incentivadas principalmente, tiveram prejuízos. O aumento das taxas dos títulos que compõem esses fundos — em razão do aumento da percepção de risco após pedidos de recuperações extrajudiciais de empresas, atrasos na divulgação de resultados e efeitos da guerra no Oriente Médio nos juros — fez o preço das cotas caírem e deu início a uma onda de resgates.
O aumento das taxas dos títulos foi gerado por eventos de crédito em companhias conhecidas, como Raízen, Pão de Açúcar, Braskem e Ambipar, além da Aegea. Depois que a percepção de risco caiu, as taxas voltaram a recuar e as cotas dos fundos voltaram a render mais que o CDI.