SPX acha que FIDCs têm montanha para escalar ainda

SPX acha que FIDCs têm montanha para escalar ainda

SPX acha que FIDCs têm montanha para escalar ainda

Apesar dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) dobrarem de tamanho nos últimos quatro anos e dos altos juros testarem a solidez das suas carteiras, a casa acha que o avanço desses fundos veio para ficar

Apesar dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) dobrarem de tamanho nos últimos quatro anos e dos altos juros testarem a solidez das suas carteiras, o avanço desses fundos veio para ficar e o Brasil está apenas "arranhando a casca do iceberg", na análise de Bruno Spilberg, gestor de crédito na SPX Capital "Temos uma montanha para escalar ainda", disse, durante um painel no evento Expert XP, realizado em São Paulo nesta sexta-feira (24).

Ele acha que os bancos notaram que esses fundos são interessantes para otimizarem o seu capital, enquanto os investidores perceberam que os FIDCs contam com uma relação de risco e retorno interessante, com baixa volatilidade. Porém, a sua maior dor é escolher as melhores operações para entrar, com um mar de possibilidades cada vez maior. "Tem que ter disciplina para dizer não em um momento em que o mercado diz muito sim. As taxas diminuíram e existe liquidez em exceço", afirmou.

Os FIDCs são produtos de crédito estruturado que investem em recebíveis. Nesses produtos, operações de crédito das companhias são empacotadas de uma forma mais complexa, com garantias e regras específicas de pagamento, retornos e riscos.

Para as companhias, esses produtos são formas de ter financiamento fora dos bancos e distribuir o risco entre vários investidores. Já para os investidores, eles são uma oportunidade de ter um retorno potencialmente maior do que nos investimentos mais tradicionais de renda fixa.

Contudo, esses investimentos são mais complexos e arriscados. É difícil entender as estruturas, há o risco de inadimplência das companhias e a liquidez dos produtos é menor (pode ser difícil se desfazer antes do prazo de vencimento).

No entanto, os FIDCs têm driblado a aversão dos investidores ao risco no crédito privado e têm absorvido a necessidade de recursos das companhias. Essa indústria alcançou cerca de R$ 800 bilhões, salto de 10% em um ano, na contramão da oferta de títulos de crédito, como debêntures, que está em retração. A expectativa é alcançar R$ 1 trilhão nos próximos meses.

Para Spilberg, apesar do avanço dos FIDCs trazer preocupações no mercado de que os investidores estão entrando no fim da festa nessa indústria, com os juros altos aumentando os riscos de inadimplência das empresas, o cenário no Brasil está difícil desde a pandemia e, mesmo assim, esses fundos performaram muito bem.

"Na pandemia, foi um aguenta coração para os investidores, um teste para cardíacos. Achamos que ninguém pagaria os investidores, diversificamos as carteiras, e os FIDCs performaram muito bem", disse. "Esses fundos podem suportar problemas em um mercado desafiador com estrutura, diversificação e disciplina de alocação", acrescentou.

Gustavo Cortes, sócio e gestor de crédito privado da Vinci Compass, concorda que o avanço dos FIDCS está somente no começo. Ele destaca que a tendência dos bancos deixarem de ser o único provedor de capital para as companhias e do mercado de capitais começar a fazer esse papel também aconteceu na Europa e nos Estados Unidos.

"Fundos de crédito, FIDCs, Fiagros, fundos imobiliários e fundos de infraestrutura podem ser provedores de capital extremamente interessantes para as empresas, permitindo que uma série de projetos de desenvolva. O Brasil necessita de alternativas de financiamento para o longo prazo", afirmou.

Na avaliação dele, apesar dos altos juros, esse mercado pode crescer com consistência. "Realmente, o cenário é bastante desafiador, mas vamos lembrar que o Brasil já viveu várias crises e que os FIDCs não são um produto recente, a securitização existe no Brasil há bastante tempo. Vivemos todo tipo de cenário, o Brasil tem emoção", disse.

Delano Macedo, sócio-fundador e diretor de crédito da Solis, lembra que a agenda do Banco Central de desconcentrar o crédito dos cinco bancões ajuda os FIDCs a avançar. Além disso, segundo ele, o fato da CVM abrir esses fundos para os investidores do público em geral aponta a maturidade desse mercado. "De 2025 para cá, triplicou a quantidade de pessoas físicas em FIDCs", afirmou. "Apesar do mercado nervoso, temos casco para o navio chegar no ponto de destino", disse.

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