Vinland está mais seletiva do que nunca no crédito privado

Vinland está mais seletiva do que nunca no crédito privado

Vinland está mais seletiva do que nunca no crédito privado

O cenário de juros altos aumentando o risco das empresas darem calote nos investidores e, ao mesmo tempo, de taxas mais baixas oferecidas nos títulos devido à demanda alta está fazendo a gestora ter bastante cautela

A gestora de recursos Vinland Crédito está mais seletiva do que nunca na escolha dos papéis de renda fixa emitidos pelas companhias que coloca nas carteiras. O cenário de juros altos aumentando o risco das empresas darem calote nos investidores e, ao mesmo tempo, de taxas mais baixas oferecidas nos títulos devido à demanda alta está fazendo a gestora ter bastante cautela.

"Estamos com bastante cautela devido ao momento macroeconômico, colhendo os efeitos de uma política de juros mais restritiva. Ao mesmo tempo, a seletividade é por uma razão positiva. Existe bem mais oferta para investir em crédito", afirmou Jean-Pierre Cote Gil, gestor na Vinland Crédito, em um painel durante o evento Expert XP, realizado em São Paulo nesta sexta-feira (24).

"Vejo empresas de boa qualidade com taxas apertadas. Sabendo ser seletivo, tem oportunidade. Mas estamos mais seletivos do que nunca. O ambiente está difícil, com mais trabalho para garimpar e montar porfólio agora", disse.

Em março e abril, boa parte dos fundos de crédito, os de debêntures incentivadas principalmente, remuneraram abaixo do CDI, o indicador de referência para os investimentos em geral que anda colado na Selic.

O aumento das taxas dos títulos que compõem esses fundos — em razão do aumento da percepção de risco após pedidos de recuperações extrajudiciais de empresas, atrasos na divulgação de resultados e efeitos da guerra no Oriente Médio nos juros — fez o preço das cotas caírem e deu início a uma onda de resgates.

O aumento das taxas dos títulos foi gerado por eventos de crédito em companhias conhecidas, como Raízen, Pão de Açúcar, Braskem e Ambipar, além da Aegea. Depois que a percepção de risco caiu, as taxas voltaram a recuar e as cotas dos fundos voltaram a render mais que o CDI.

Os eventos de crédito deixaram aprendizados, conforme Cote Gil, de como melhorar o ambiente judicial para recuperações das empresas e os instrumentos regulatórios para se preparar para eventos de estresse e lidar com a pulverização de investidores. "Incorporamos a experiência para lidar com problemas e ser seletivos na gestão", afirmou. "Devemos evitar os problemas, porque quando eles acontecem é difícil de resolver", disse.

De acordo com o gestor, que trabalhou 11 anos na agência de classificação de risco S&P, a casa começou a incorporar no seu processo de análise elementos muito qualitativos, como o julgamento do caráter dos dirigentes das empresas, o que as agências de classificação de risco não podem fazer.

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