Petróleo reforça risco inflacionário e aumenta expectativa pela decisão de juros nos EUA

Petróleo reforça risco inflacionário e aumenta expectativa pela decisão de juros nos EUA

Petróleo reforça risco inflacionário e aumenta expectativa pela decisão de juros nos EUA

Banco central americano deve manter a taxa básica nesta quarta-feira, mas mercado buscará sinais sobre os próximos passos da política monetária; Inglaterra e Japão também anunciam suas decisões esta semana

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e sua decisão de juros assumem o centro das atenções dos mercados nesta semana em meio ao aumento das preocupações com a inflação global. O principal fator por trás desse movimento é a disparada recente do petróleo, impulsionada pelo agravamento da guerra entre EUA e Irã e os riscos à oferta da commodity.

O petróleo mais caro encarece combustíveis, transporte, energia e matérias-primas, elevando os custos de produção e distribuição e pressionando os preços de bens e serviços em toda a economia.

Na semana passada, o barril do petróleo Brent, a referência de preço global e brasileira, voltou a superar a marca de US$ 100, chegando a fechar em US$ 100,69 na quinta-feira (23), maior nível desde maio. Apesar da acomodação no pregão seguinte, a commodity acumula valorização de cerca de 40% em julho e segue negociando em patamar significativamente superior ao observado no início do ano.

Nesse cenário, a expectativa é de manutenção dos juros americanos nos atuais 3,75% ao ano, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group. No entanto, ao contrário de reuniões anteriores, que as expectativas eram consensuais, os agentes de mercado estão divididos: 66% apostam em manutenção, ante 34% que já preveem aumento de 0,25 ponto percentual. Na semana anterior, esse placar estava em 87% e 13%, respectivamente.

A taxa de juros americana remunera os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (os Treasuries), considerados o investimento mais seguro do mercado global. Seu nível influencia diretamente a alocação de recursos dos investidores: quanto maior a remuneração desses papéis, maior tende a ser a atratividade da renda fixa em relação a ativos de risco, como ações, e mercados emergentes, como o Brasil.

Além da decisão em si, o foco dos investidores também estará no comunicado e na divisão de votos entre os dirigentes, diante da percepção de que parte do comitê pode defender uma postura mais dura para evitar que a alta da energia volte a contaminar a inflação.

Será a segunda reunião do comitê de política monetária liderada por Kevin Warsh, que anunciou um processo extenso de "reformas" no BC americano, inclusive na comunicação ao mercado. O ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga vai integrar uma das cinco forças-tarefa criadas por Warsh, com o objetivo de revisar e aprimorar a condução da política monetária americana.

O debate também se estende a outras economias desenvolvidas. O Banco da Inglaterra (BoE) e o Banco do Japão (BoJ) também divulgam suas decisões de juros o final da semana. O BoJ já havia adotado um discurso mais duro, reforçando a percepção de que o combate às pressões inflacionárias continua no centro das preocupações dos principais bancos centrais.

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